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23/01/2011 - 11h41

Abraham Lincoln caça vampiros em novo mash-up literário; leia trecho

da Livraria da Folha

Divulgação
Diários do ex-presidente revelam sua luta e vingança contra vampiros
Diários do ex-presidente revelam sua luta e vingança contra vampiros

Abraham Lincoln foi uma das figuras políticas mais importantes para a história dos Estados Unidos. Mas, e se seus feitos fossem muito além de suas realizações na presidência e em toda a sua carreira? Seth Grahame-Smith brinca com esta possibilidade em "Abraham Lincoln - Caçador de Vampiros".

Depois do sucesso de "Orgulho e Preconceito e Zumbis", o escritor faz outro mash-up. Desta vez ele utiliza a biografia real do ex-presidente e mistura com uma trama sobre a participação dos vampiros na formação dos Estados Unidos.

Na história, o narrador teria recebido um embrulho contendo os diários de Lincoln e a revelação sobre a existência destas criaturas sobrenaturais. Junto com os livros, vem a responsabilidade de transformar aquilo em uma única obra e disseminar o conhecimento.

Ainda criança Abe perdeu a mãe por causa do ataque de um vampiro e, já crescido, toma como missão destruir estes seres para vingar a mãe. No meio tempo ele se torna presidente dos Estados Unidos e vive a Guerra de Secessão.

Leia abaixo um trecho de "Abraham Lincoln - Caçador de Vampiros" :

*

FATOS

1. Por mais de 250 anos, entre 1607 e 1865, os vampiros floresceram nas sombras da América. Raros eram os humanos que acreditavam neles.

2. Abraham Lincoln, que foi um talentoso caçador de vampiros de seu tempo, manteve um diário secreto sobre uma vida inteira dedicada a combatê-los.

3. Durante muito tempo, rumores a respeito da existência desse diário foram um dos temas prediletos dos historiadores e biógrafos de Lincoln. A maioria deles considera tudo isso um mito.

II

O pacote ficou embaixo do balcão até o fim do dia. Eu estava louco de vontade de abri-lo, mas como não fazia ideia de quem seria aquele sujeito, não estava disposto a arriscar desembrulhar uma boneca inflável ou um quilo de heroína no instante em que uma bandeirante resolvesse entrar na loja. Deixei minha curiosidade arder até que as ruas estivessem escuras e a senhora Kallop finalmente se decidisse pelo carretel verde mais escuro (após excruciantes noventa minutos de discussão), então tranquei as portas alguns minutos mais cedo. Danem-se os mendigos hoje à noite. O Natal havia passado e, afinal, o movimento estava muito devagar. Além disso, todo mundo estava em casa assistindo à dramática disputa entre Obama e Hillary em Iowa. Resolvi fumar um cigarro escondido no porão antes de ir para casa e ver o resultado. Peguei o presente de Henry, apaguei as luzes frias e aumentei o volume da televisão. Se houvesse alguma notícia da eleição, eu ouviria lá de baixo.

Não havia muitas coisas no porão. Além de umas poucas caixas estocadas rente às paredes, aquele era basicamente um cômodo vazio com um asqueroso piso de cimento batido e uma única lâmpada de quarenta watts pendendo do teto. Havia uma velha escrivaninha de metal encostada a uma das paredes com o computador do estoque em cima, um arquivo com duas gavetas, nas quais guardávamos alguns documentos, e duas cadeiras dobráveis. Um aquecedor de água. Uma caixa de força. Duas janelinhas que davam para o beco lá em cima. Mais do que tudo, era ali onde eu fumava no auge do inverno. Puxei uma cadeira até a escrivaninha, acendi o cigarro e comecei a desatar o barbante daquele bem-embrulhado

A carta.

O pensamento me ocorreu num sobressalto naquele momento, como uma daquelas ideias brilhantes ou observações pelas quais eu sempre mantinha o caderno à mão. Eu devia primeiro ler a carta. Achei meu chaveiro com canivete suíço no bolso da calça (7,20 dólares mais impostos - mais barato do que você vai achar em qualquer lugar de Dutchess County, eu garanto) e abri o envelope com um único movimento do pulso. Dentro havia um papel muito branco dobrado ao meio, com uma lista de nomes e endereços datilografados de um dos lados. Do outro, um aviso manuscrito.

Existem algumas condições com as quais devo pedir que você concorde antes de abrir este pacote:

Primeiro, entenda que isto não é um presente, mas um empréstimo. Quando me for conveniente, pedirei que você me devolva estes itens. Quanto a isso, preciso que você jure solenemente que irá protegê-los a qualquer custo e tratá-los com o mesmo cuidado e respeito que você tem para com qualquer coisa de extremo valor.

Segundo, o conteúdo deste pacote é de natureza extremamente delicada. Devo pedir que você não o compartilhe ou comente com quem quer que seja além de mim e dos onze indivíduos listados no verso até que receba minha permissão para fazê-lo.

Terceiro, estes itens lhe estão sendo emprestados na expectativa de que você escreva sobre eles algo de, digamos, extensão substancial e sujeito à minha aprovação. Você poderá levar o tempo que for preciso. Depois de completar satisfatoriamente o seu texto, você será bem-recompensado.

Se você não puder cumprir qualquer uma dessas condições por algum motivo, por favor, pare agora e espere meu contato. No entanto, se você concordar, então pode seguir em frente.

Creio que seu propósito é fazê-lo.

- H

Merda, bem não tinha como eu não abrir agora.

Rasguei o papel, revelando um maço de cartas bem-amarradas por um elástico vermelho e dez livros encadernados em couro. Abri o livro do topo da pilha. Ao fazê-lo, um cacho de cabelos loiros caiu sobre a escrivaninha. Peguei-o, analisei-o e fiquei torcendo-o entre os dedos enquanto lia ao acaso um trecho da página onde a madeixa estivera comprimida:

quem me dera desaparecer da face da terra, pois não existe mais nenhum amor por aqui. Ela foi tirada de mim, e com ela, toda a minha esperança de

Espiei o restante do primeiro livro, fascinado. Lá em cima, uma mulher lia uma lista de nomes de condados. Páginas e páginas - cada centímetro preenchido com uma caligrafia bem apertada. Com datas como 6 de novembro de 1835; 3 de junho de 1841. Com desenhos e listas. Com nomes como Speed, Berry e Salem. Com uma palavra que aparecia a todo instante:

Vampiro.

Os outros livros eram a mesma coisa. Mudavam apenas as datas e a caligrafia. Dei uma olhada em todos.

lá que eu vi, pela primeira vez, homens e crianças vendidos precauções, pois sabíamos que Baltimore estava cheia de era um pecado que eu não podia perdoar. Fui forçado a rebaixar o

Duas coisas estavam evidentes: tudo aquilo fora escrito pela mesma pessoa, e era tudo muito, mas muito velho. Além disso, eu não fazia ideia do que era aquilo tudo nem do que teria feito Henry me emprestar aquele material. E então deparei com a primeira página do primeiro livro, e aquelas sete palavras absurdas: Este é o diário de Abraham Lincoln. Soltei uma risada alta.

*

Abraham Lincoln - Caçador de Vampiros
Autor: Seth Grahame-Smith
Editora: Intrínseca
Páginas: 336
Quanto: R$ 39,90
Onde comprar: Pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

 
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