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03/05/2011 - 11h00

Islâmicos se maravilharam com Jerusalém, conta livro sobre a Terra Santa

da Livraria da Folha

Divulgação
Livro barca desde os primeiros vestígios de povoamento até hoje
Livro abarca desde os primeiros vestígios de povoamento até hoje

Quando as forças de Saladino (1137/38-1193), lendário líder militar islâmico, derrotaram os cruzados e tomaram Jerusalém, os muçulmanos ficaram maravilhados com a Terra Santa. O evento é descrito em "Jerusalém: Uma Cidade, Três Religiões".

Escrito por Karen Armstrong, ex-freira e professora de literatura, o livro retrata a história do local, dos primeiros vestígios de povoamento na região ao fim do século 20.

Na obra, recentemente publicada pela Companhia das Letras em versão de bolso, a escritora descreve como as três principais religiões monoteístas do Ocidente avaliam a importância do lugar.

O texto traz relatos de ocupações e aponta as dificuldades de uma solução racional para os conflitos que marcaram o território.

Karen é autora de "A Escada Espiral", "Buda", "Uma História de Deus", "Breve História do Mito", "Maomé" e "Em Defesa de Deus". Leia um trecho do exemplar.

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14. JIHAD

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DEPOIS QUE OS FRANCOS PARTIRAM, os muçulmanos percorreram a cidade, maravilhando-se com o esplendor de Jerusalém dos cruzados. Contudo, sob muitos aspectos pareciam estar voltando à pátria. Radiante de prazer, segundo nos informa 'Imad ad-Din, Saladino recebeu as congratulações de seus emires, sufis e ulemás no hospital, bem no centro de Jerusalém dos cruzados. Poetas e recitadores do Alcorão declamaram versos em sua homenagem, enquanto outros choravam de alegria e mal conseguiam falar. Os maometanos sabiam, entretanto, que a jihad por Jerusalém não terminara com a conquista da cidade. Essa palavra não significa apenas "guerra santa". O Alcorão a utiliza principalmente no sentido primário de "luta". Os fiéis devem "lutar no caminho de Deus", dedicar suas vidas à implementação da vontade divina num mundo falho e trágico. Numa famosa habith, Maomé declara: "Estamos voltando da jihad menor para a jihad maior", a luta mais importante e mais difícil, cujo objetivo consiste em estabelecer a justiça na própria sociedade e na integridade do próprio coração. Saladino conduziu sua jihad de acordo com o ideal do Alcorão: sempre concedeu as tréguas que os cruzados solicitaram e em geral tratou seus prisioneiros com equidade e benevolência. Na hora do triunfo foi piedoso - até demais, na opinião de alguns historiadores islâmicos. Porque deixou os cristãos se reunirem em Tiro, permitiu-lhes manter uma base na Palestina, e o conflito prosseguiu por mais cem anos. Uma Terceira Cruzada, sob o comando dos reis Ricardo I, da Inglaterra, e Felipe II, da França, não conseguiu reconquistar Jerusalém, mas instalou os francos num pequeno Estado costeiro que se estendia da Jafa a Beirute. Embora sua capital fosse Acre, seu governante ainda se autodenominava "rei de Jerusalém". O sonho dos cruzados não terminara, e, enquanto os francos permaneceram na Palestina, os muçulmanos se mantiveram atentos e defensivos.

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"Jerusalém: Uma Cidade, Três Religiões"
Autor: Karen Armstrong
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 632
Quanto: R$ 28,90 (preço promocional de lançamento)
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

 
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