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07/04/2011 - 09h00

Se espremer, sai sangue; livro conta história do "Notícias Populares"

FABIO ANDRIGHETTO
da Livraria da Folha

Divulgação
Mais que uma biografia do jornal, este livro é um romance fantástico
Mais que uma biografia do jornal, este livro é um romance fantástico

Depois de quase 40 anos de "Notícias Populares", a Empresa Folha da Manhã S/A encerrou a publicação do periódico em janeiro de 2001. O jornal representava uma fonte de catarse aos paulistanos, um diário no qual o moralismo convivia com a moça quase nua. Por conta da violência retratada pelo "NP", "se espremer, sai sangue" era usado pejorativamente para definir o seu conteúdo.

Republicado pela editora Summus no ano em que se completa uma década de seu fechamento, "Nada Mais que a Verdade" relembra a saga do Bebê-Diabo e a história do misterioso desaparecimento (e ressurgimento) de Roberto Carlos.

"Dizia-se que bastava espremer suas páginas para que delas pingasse sangue. Esprema-se um pouco a realidade de hoje, e dela pingará a tinta do 'Notícias Populares'", escreve Marcelo Coelho, colunista da Folha e alter ego de Voltaire de Souza, no prefácio à nova edição do livro.

O volume se originou no trabalho de conclusão de curso apresentado por Celso de Campos Jr., Denis Moreira, Giancarlo Lepiani e Maik Rene Lima na Faculdade Cásper Líbero, em 1999. Leia, abaixo, o prefácio do exemplar.

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PREFÁCIO À NOVA EDIÇÃO

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Não tenho muito a acrescentar ao que escrevi no prefácio para a primeira edição deste livro; mas dez anos são dez anos, e sozinhos acrescentam muita coisa ao que quer que seja.

Ao "mito" do velho Notícias Populares, com certeza. A nostalgia por aquele tipo de jornal não foi aplacada nem esquecida com o passar do tempo; em São Paulo, pelo menos, não surgiu nenhum outro veículo impresso que substituísse aquela diária enormidade.

A televisão, entretanto, consolidou em alguns programas de final de tarde (a sina do jornalismo vespertino se repete) o recurso ao noticiário arrepiante, enquanto a sexualidade e o grotesco se combinam nos reality shows. O mundo da "sensação", se querem classificá-lo assim, serve-se melhor da TV do que das páginas de um jornal; está morto o NP.

Vive, entretanto, o NP, não só nos capítulos deste livro, que o fixaram numa máscara clássica - ao mesmo tempo trágica e cômica -, mas também numa realidade social e política em que, como nunca imaginaram seus diretores e repórteres, a "voz de baixo", sua ascensão ao mundo do consumo (material mas também cultural) passou nestes últimos dez anos a ganhar importância. Não graças a um sistema organizado de participação política, mas numa espécie de maré de prosperidade, em que as correntes ocultas e persistentes da barbárie refluem diante dos poderes do otimismo e da acomodação.

O deboche e os prazeres que o NP desrecalcava tornaram-se hoje, explícitos, e o que o NP tinha de exasperado e violento tornou-se, hoje, por vezes banal, por vezes secundário. Para bem e para mal do país, o Notícias Populares de alguma forma realizou-se no que tinha de irreal e de verdadeiro, de autêntico e de delirante.

Dizia-se que bastava espremer suas páginas para que delas pingasse sangue. Esprema-se um pouco a realidade de hoje, e dela pingará a tinta do Notícias Populares. O livro de Celso de Campos Jr., Denis Moreira, Giancarlo Lepiani e Maik Rene Lima fixou-a, para quem souber ler, nas páginas da história brasileira.

MARCELO COELHO

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"Nada Mais que a Verdade"
Autores: Celso de Campos Jr., Denis Moreira, Giancarlo Lepiani e Maik Rene Lima
Editora: Summus Editorial
Páginas: 256
Quanto: R$ 54,40 (preço promocional)
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

 
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