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04/07/2011 - 23h00

Bêbado e mulher casada vivem noite de sexo em conto de Trevisan

da Livraria da Folha

Divulgação
coletânea reúne 14 contos de Dalton Trevisan, selecionados pelo autor
Coletânea reúne 14 contos selecionados pelo próprio autor
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"O Barquinho Bêbado", conto do curitibano Dalton Trevisan, narra o envolvimento sexual de um homem alcoolizado com uma mulher casada durante uma noite ordinária na capital do Paraná. O texto faz parte da coletânea "Continhos Galantes", que reúne 14 histórias selecionadas pelo próprio escritor.

"Na Pontinha da Orelha", "O Roupão", "Cafezinho com Sonho", "Os Mil Olhos do Cego", "O Matador", "Peruca Loira e Botinha Preta", "Penas de um Sedutor", "Abismo de Rosas", "O Despertar do Boêmio", "A Guardiã da Mãe", "Não se Enxerga, Velho?", "O quadrinho" e "Orgias do Minotauro" completam a edição.

Trevisan, entre outras obras, também é autor de "Nem te Conto, João", "Contos Eróticos", "Novelas Nada Exemplares", "Macho Não Ganha Flor", "A Trombeta do Anjo Vingador", "A Faca no Coração", "Pico na Veia", "A Polaquinha", "Virgem Louca, Loucos Beijos" e "O Vampiro de Curitiba".

Leia, abaixo, um trecho de "O Barquinho Bêbado".

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Atenção: o texto reproduzido abaixo mantém a ortografia original do livro e não está atualizado de acordo com as regras do Novo Acordo Ortográfico. Conheça o livro "Escrevendo pela Nova Ortografia".

*

O BARQUINHO BÊBADO

Bêbado, onze da noite, voltava para casa. No rumo de casa, mesmo que lá não chegasse. Mulher e filhas viajando, Curitiba toda sua. No ponto de ônibus, a menina de calça comprida azul, blusa rósea de seda, bolsa branca de cursinho.

- Entre.

Tão decidido, ela nem relutou.

- Que eu te levo.

Alta, peituda, o mulherão sorriu: era toda dentes.

- Entre, minha filha.

Ela obedeceu, a bolsa volumosa no colo. Amigos de infância, Laurinho contou-lhe a vida inteira. Ela não aluna, mas professora, trinta anos, casadinha. Muito distinto, não a tocou. Ria fácil, ela ainda mais.
Insinuou-se de carro na garagem. Escuro, ninguém ia ver. Cruzaram a cozinha, o corredor, a sala, até o escritório, mais conchegante no sofá de veludo. Trouxe o gelo no baldinho. Serviu doses duplas da velha botija.

- Ao nosso encontro!

Mal se distraiu, ela desceu a mão e segurou.

- Seu diabinho reinador.

Só então o primeiro beijo. A peça em penumbra, ele também com pouca luz. Iniciativa da língua foi dela. Ao retribuir, o arrepio de susto no grampinho do canino.

- É a minha perdição, querido. Sabe que o meu marido...

Debateu-se, o nariz afundado no terceiro seio.

-...eu nunca traí?

Copo na mão, celebrou o barco bêbado de papel, que era ele mesmo. Na viagem ao fim da noite, fazendo água e ardendo em chamas. Assombrado por hipocampos voadores e pontões vermelhos de olho fosforescente.

- Um sujeito como você. É uma sorte. Nem todas têm a mesma sorte.

O tipo fabuloso agradecia os assobios e as palmas.

- Agora aparece a das Dores na tua vida.

Tua esposa não sabe a sorte que tem. Como você é bacana...

Deslumbrado, a primeira mulher que o compreendia.

-...e conseqüente.

Se voltasse à cena, repetindo o famoso número?

- Ali o banheiro.

Aos tombos correu para o das filhas. Quando ela voltou, já estava na cama, peladinho, a ponta do lençol erguida.

Luz do corredor acesa, o quarto em penumbra. Com a roupa na mão ela escondia os mamelões. Só de calcinha, das antigas, rendas e fitas, da coxa ao umbigo. Coxa de dona madura, grossa que vai afinando.

Ainda a grande amante da madruga, a musa dos anos quarenta, pão e vinho da última ceia. Pudera, não o achou culto, falastrão, sedutor?

*

"Continhos Galantes"
Autor: Dalton Trevisan
Editora: L&PM Editores
Páginas: 112
Quanto: R$ 6,80 (preço promocional de lançamento)
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

 
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