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29/04/2011 - 06h00

Ao visitar Londres, descubra a cidade da realeza britânica

da Livraria da Folha

Nesta sexta-feira (29) as atenções mundiais estarão voltadas para o Reino Unido, quando acontecerá o casamento entre o príncipe William e Kate Middleton. Londres está pronta para a grande festa, com as ruas enfeitadas e os mais diferentes objetos relacionados à boda, de réplicas do anel a camisinhas, à venda nas ruas.

O destaque acontece devido à importância que a família real ainda exerce sobre país, apesar de não possuírem poder político de decisão. Toda a pompa e circunstância que envolve os ritos e o glamour da realeza atraem muitos turistas, o que faz com que o sistema não enfraqueça.

Mario Testino-12dez.10/Efe
Príncipe William e a noiva Kate Middleton em foto oficial do noivado
Príncipe William e a noiva Kate Middleton em foto oficial do noivado

Grande parte dos pontos turísticos da cidade é dedicada ou tem alguma relação com a família real. O palácio de Buckingham, a abadia de Westminster e a torre de Londres são apenas alguns dos destaques.

Quem visita a cidade acaba conhecendo um pouco da história mundial, já que a Inglaterra esteve envolvida em grandes acontecimentos, e se vê cercado pela realeza. Ao preparar a viagem, é imprescindível conhecer um pouco das tradições reais.

Os principais guias de viagem oferecem um grande material de conhecimento para entender a relevância da monarquia, além de ajudarem o turista a preparar-se para a maratona de visitas a estes locais da realeza.

A abadia de Westminster, local onde será realizada a cerimônia, é conhecida por sua imponência e por guardar os túmulos de britânicos ilustres. Nos últimos anos ela ganhou destaque por ser cenário de "O Código da Vinci", no qual o protagonista utiliza o túmulo de Isaac Newton para decifrar um dos mistérios. Situada ao lado do Big Ben e das casas do Parlamente, a abadia está no cartão postal mais famoso da cidade.

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Abadia de Westminster
Monges beneditinos ocuparam este local pantanoso às margens do Tâmisa a partir da metade do século 10º, mas Eduardo, o Confessor, começou o edifício atual (Igreja Colegiada de São Pedro em Westminster) por volta de 1050. Como morreu uma semana após sua consagração, em 6 de janeiro de 1066, ele foi o primeiro monarca a ser enterrado no local. Quase um ano depois, Guilherme, o Conquistador, foi coroado aqui, confirmando o estatuto real da igreja, que viu a coroação de todos os reis ingleses posteriores, com exceção de Eduardo 5º e Eduardo 8º.

Eduardo, o Confessor, foi canonizado mais tarde, e Henrique 3º iniciou uma reforma em grande escala em 1245 para fazer um santuário adequado à veneração do rei santo. A igreja atual, muito influenciada pelas catedrais góticas francesas de Amiens e Reims, foi o resultado. Em 1503 a Lady Chapel, na extremidade oeste, foi reconstruída por Henrique 7º, que deu seu nome à capela, que é o ponto alto da arquitetura da igreja. A fachada oeste só terminou em 1745, quando foram construídas as duas torres com projeto de Nicholas Hawksmoor.

A abadia forma o lado sul da Parliament Square. Entra-se pelo transepto norte, por uma das três grandes portas sob a enorme rosácea, cujo desenho se repete nas lajotas do piso do cabido. Lá dentro, vire à esquerda para dar uma volta no sentido horário pela igreja e pelos claustros, passando por uma série de capelas com inúmeros túmulos e monumentos, antes de sair pela porta oeste.

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O Hyde Park, um dos parques mais famosos da cidade, abriga diversas atrações turísticas. Há estátuas, monumentos e jardins dedicados à grandes nomes da família real. É possível seguir pedras no chão para fazer caminhadas que levam às principais paradas. Uma delas é o memorial de Diana, princesa de Gales e mãe de Willian. Trata-se de uma grande fonte em homenagem àquela que foi protagonista do último grande evento do mesmo porte.

Fernanda Correia/Folhapress
No Hyde Park, à beira do rio Serpentine, está o memorial em homenagem à princesa Diana
No Hyde Park, à beira do rio Serpentine, está o memorial em homenagem à princesa Diana

Outro evento que não deve ser esquecido é a cerimônia de troca da guarda real, que ocorre às segundas-feiras. Quem for deve chegar cedo para conseguir uma boa visão, atender aos avisos para tomar conta dos objetos de valor e tomar cuidado para respeitar as restrições do momento.

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Palácio de Buckingham
A belíssima residência oficial da rainha Elizabeth II, com seus 500 luxuosos aposentos, é um local de difícil acesso: abre somente em agosto e setembro, quando a rainha sai em férias. O palácio foi construído para o duque de Buckingham e vendido ao rei Jorge III (que precisava de uma casa grande, para seus 15 filhos), em 1761. Jorge IV contratou o famoso arquiteto John Nash para uma reforma na década de 1820. Os grandiosos State Rooms não sofreram nenhuma alteração desde então. É inevitável que a grande quantidade de luxuosos tesouros no palácio desperte a curiosidade dos visitantes sobre os custos e os esforços investidos nesta maravilha. O passeio vale a pena para saber como vive a realeza.

Queen's Gallery
A coleção pessoal de peças artísticas da rainha foi organizada nesta galeria.
Pinturas, joias, móveis e bibelôs de valores inestimáveis são exibidos em dependências de estilo georgiano. As exposições são temporárias, já que o acervo da rainha é imenso (como exemplo, pode-se citar as cerca de 10 mil obras dos antigos mestres presentes nesta coleção), mas todas são ótimas. Entre os destaques exibidos está uma escrivaninha de prata maciça do século 18. A loja de presentes possui ótimos itens de temas monárquicos.

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Vale lembrar que não se deve esperar ver algum membro da família real, especialmente a rainha. Ela não aparece em público durante estes eventos. A presença real é certa em outras cerimônias que têm lugar ao longo do ano.

Fernanda Correia/Folhapress
De frente para a residência oficial da realeza fica o Queen Victoria Memorial
De frente para a residência oficial da realeza fica o Queen Victoria Memorial

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Onde Assistir às Cerimônias de Londres

A realeza e o comércio são as duas principais fontes do rico calendário de cerimônias de
Londres. Embora estranhos e antiquados, esses rituais possuem um verdadeiro significado histórico -muitas das cerimônias da capital originaram-se na Idade Média.

Cerimônias Reais
Embora o papel da rainha seja hoje simbólico, a guarda do palácio de Buckingham ainda vigia o local. A cerimônia da mudança da guarda (Changing of the Guard) impressiona pelos vistosos uniformes, gritos de comando e música marcial. A velha guarda se perfila na área em frente ao palácio para deixar o turno e passá-lo à nova guarda. A guarda consiste em três oficiais e 40 homens quando a rainha está no palácio. Quando ela se ausenta, são apenas três oficiais e 31 homens. A cerimônia tem lugar às vistas do público. Em outra cerimônia de troca, os guardas da rainha viajam diariamente de Hyde Park Barracks para Horse Guard's Parade.

Fernanda Correia/Folhapress
Durante a troca da guarda dezenas de turistas ocupam a frente do palácio de Buckingham
Durante a troca da guarda dezenas de turistas ocupam a frente do palácio de Buckingham

A Cerimônia das Chaves (Ceremony of the Keys), na Torre de Londres, é uma das mais antigas. Depois que cada portão da torre é trancado, o último guarda se retira ao som de trombetas, antes que as chaves sejam guardadas na casa da rainha (Queen's House).

A Saudação Real (Royal Salute) ocorre na Torre de Londres e Hyde Park em várias datas durante o ano. Nessas ocasiões, 41 tiros são disparados em Hyde Park, ao meio-dia, e 62 na Torre de Londres, às 13h.

O espetáculo em Hyde Park é emocionante, uma vez que 71 cavalos e seis canhões de 13 libras se posicionam para disparar. A combinação de pompa, cor e música faz da Trooping the Colour o ponto alto do ano cerimonial de Londres.

A rainha recebe a Saudação Real e depois de passar as tropas em revista as conduz ao palácio de Buckingham, onde ocorre uma segunda parada. O melhor lugar para observar este espetáculo é do lado do Horse Guards Parade, em St James's Park. Bandas da cavalaria e da infantaria protagonizam a Cerimônia da Retirada (Beating the Retreat), na Horse Guards Parade, três ou quatro noites por semana, na quinzena que antecede a Trooping the Colour.

A espetacular Abertura do Parlamento, quando a rainha comparece à sessão inaugural, tem lugar na Casa dos Lordes, em novembro. Não é aberta ao público, embora seja transmitida pela TV. O grande cortejo real que se desloca do palácio de Buckingham até Westminster nesta ocasião é um grande espetáculo. A rainha faz o percurso em uma carruagem ricamente decorada (a Irish State Coach) puxada por quatro cavalos.

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Outro lugares marcantes da realeza são o Albert Memorial e o Kensington Palace, este último foi residência oficial da princesa Diana, mantendo alguns de seus objetos em exposição ainda hoje.

Fernanda Correia/Folhapress
De frente para o teatro Albert Hall fica o imponente Albert Memorial
De frente para o teatro Albert Hall fica o imponente Albert Memorial

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Albert Memorial
Encomendado pela rainha Vitória, em memória de seu falecido marido
Albert (que morreu de febre tifoide em 1861), este santuário de 55 m de altura consumiu rios de dinheiro público para ser construído. O projeto, concluído em 1876, não foi aceito de imediato por diversos ministros, sendo posteriormente aprovado, para satisfação da rainha. Ricamente decorado, com dourado, mármore, esculturas e mosaicos, o santuário, que fica na Kensington Gardens, foi reformado (com mais dinheiro público) na década de 1990, e agora divide a atenção do público com o igualmente fabuloso Albert Hall. O livro nas mãos de Albert é um catálogo da Grande
Exposição, organizada por ele, que transformou South Kensington em uma importante sede de grandes museus (o local já foi chamado de Albertrópolis).

Kensington Palace
Este palácio serviu como refúgio para os monarcas Guilherme III e sua mulher, Maria II, no século17, e também foi lar da princesa Diana. A visita aqui é mais interessante que a do Palácio de Buckingham, e pode ser feita durante o ano todo. O palácio é menor, tem mais personalidade e é mais acessível que a casa oficial da realeza. Os detalhes arquitetônicos são belos e misturam estilos, que vão do jacobino ao início do século 19.

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É possível fazer este roteiro a pé. Partindo do palácio de Buckingham, pode se contornar a propriedade e chegar ao Hyde Park corner, ou a esquina do parque literalmente, próximo ao memorial de Diana e seguir por ele para conhecer grande parte destas atrações.

Na extremidade do Hyde Park próxima ao palácio há uma região conhecida por receber pessoas que tenham algo a falar, geralmente sobre um banquinho. Lá é possível protestar ou declarar o que se quiser para quem estiver lá para ouvir. Apenas não deve-se falar mal da rainha, pois a propriedade é dela.

Fernanda Correia/Folhapress
Museus da cidade expõem diversas peças reais, como o Victoria and Albert e seus jardins internos (foto)
Museus da cidade expõem diversas peças reais, como o Victoria and Albert e seus jardins internos (foto)

Mais distante destas atrações, mas igualmente famosa está a Torre de Londres. À beira do Tâmisa, este prédio reúne muita história, como as salas de decapitação e interrogatório, e é palco de uma das cerimônias oficiais da realeza. O destaque fique para a exibição permanente das joias da coroa.

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Jewel House
A primeira parada para muitos visitantes é a Jewel House (casa das joias), no Waterloo Barracks, ao norte da White Tower. Aqui você passa por uma série de vitrines que mostram uma história das Coronation Regalia (Joias da Coroa), antes de chegar ao tesouro, onde é mantida a coleção. Uma excelente história visual das joias diverte os que esperam para ver a mostra, e é possível repetir o circuito imediatamente para ver melhor, sem custo adicional.

As joias datam principalmente da restauração da monarquia, em 1660; as mais antigas foram fundidas por ordem de Oliver Cromwell, e restam apenas três espadas e uma colher da coroação. O orbe e o cetro do soberano (encimados por uma pomba), feitos para Carlos 2º em 1661, foram usados em todas as coroações desde então, mas também há acréscimos posteriores, como os novos conjuntos feitos para a mulher de Jaime 2º, como rainha consorte, e para Maria 2º, coroada com Guilherme 3º mas rainha por direito pessoal. Entre as pedras de valor incalculável usadas na Regalia está o maior diamante lapidado do mundo, a Primeira Estrela da África, de 530 quilates, incrustado no alto do cetro. O diamante Segunda Estrela da África, de 317 quilates, faz parte da Coroa Imperial, feita para a coroação de Jorge 6º em 1937 e incrustada com outros 2.868 diamantes, além de 17 safiras, 11 esmeraldas, 5 rubis e 273 pérolas.

 
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