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06/05/2011 - 21h00

Paleontologia é trabalho para "Sherlock Holmes", diz autor

da Livraria da Folha

Divulgação
paleontologia foi marcada por preconceitos científicos e disputas acadêmicas
Desenvolvimento da paleontologia foi marcada por disputas científicas

Os dinossauros passaram a ser objetos da ciência há menos de dois séculos. De lá pra cá, mesmo usando novas tecnologias, a paleontologia continua a ser um verdadeiro trabalho de detetive.

"A descoberta do fóssil de um animal traz ao paleontólogo uma série de enigmas, não muito diferentes dos mistérios enfrentados pelo detetive Sherlock Holmes na ficção", compara o paleobiólogo David Norman.

Que tipo de criatura esse animal era em vida? Há quanto tempo ele morreu? A morte foi natural ou não? Ele morreu onde foi encontrado, foi soterrado por rochas, ou foi trazido de algum outro lugar? Como era a aparência dessa criatura em vida? São algumas das perguntas que instigam os estudiosos da área.

No livro "Dinossauros", Norman leva o leitor a explorar uma fração do tempo da vida na Terra: o intervalo entre 225 e 65 milhões de anos atrás, quando os dinossauros dominavam grande parte do planeta. Leia, abaixo, um trecho do exemplar.

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Dinossauros: fatos e ficção

Os dinossauros "nasceram" oficialmente em 1842 por meio de um brilhante e intuitivo trabalho de investigação realizado pelo anatomista britânico Richard Owen, que concentrou seus estudos na natureza singular de alguns fósseis de répteis britânicos extintos.

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Na época, Owen estava trabalhando com uma quantidade muito pequena de ossos e dentes fossilizados que haviam sido encontrados em diversos pontos das ilhas britânicas. Embora o surgimento dos dinossauros tenha sido relativamente modesto (aparecendo a princípio como uma conclusão de última hora no relatório da 11a Conferência da Associação Britânica para o Avanço da Ciência), essas criaturas logo atrairiam a atenção do mundo todo. E o motivo disso era simples. Owen trabalhava em Londres, no Museu da Faculdade Real dos Cirurgiões, em uma época em que provavelmente o império britânico estava no ápice. Em comemoração a essa grande conquista e influência global, foi organizada a Grande Exposição de 1851. Para abrigar o evento, um enorme centro de exposições temporário (o "Palácio de Cristal", de aço e vidro, projetado por Joseph Paxton) foi construído no Hyde Park, no centro de Londres.

Em vez de ser demolido no final de 1851, o lindo centro de exposições foi transferido para um local permanente em Sydenham, um subúrbio de Londres, que depois viria a se tornar o Parque do Palácio de Cristal. A área em volta do prédio principal foi preparada e decorada de acordo com vários temas, sendo que um deles retratava os avanços da geologia e da história natural, mostrando como essas disciplinas auxiliaram a ciência a desvendar a história da Terra. Esse parque temático geológico, provavelmente um dos primeiros do tipo, tinha reconstruções de elementos geológicos genuínos (como cavernas, placas de mármore, estratos geológicos), além de representações dos seres que habitaram o mundo antigo. Trabalhando em conjunto com o escultor e empresário Benjamin Waterhouse Hawkins, Owen povoou o parque com gigantescos modelos de concreto com armação de ferro na forma de dinossauros e outras criaturas pré-históricas conhecidas na época. A divulgação prévia feita para a reabertura oficial da "Grande Exposição" em 1854 contou com um jantar comemorativo na véspera de ano novo de 1853, realizado dentro da barriga de um modelo ainda em construção de um Iguanodon, garantindo uma dose considerável de publicidade para os dinossauros de Owen.

Por serem criaturas extintas de mundos primitivos até então desconhecidos, assim como uma encarnação literal dos dragões descritos nas lendas, os dinossauros logo cativaram toda a sociedade, chegando até a figurar nas obras de Charles Dickens, que conhecia Richard Owen pessoalmente. Depois desse surgimento tão marcante, o interesse público pelos dinossauros só fez crescer. Muito se especula sobre o que teria mantido esse tema em evidência há tanto tempo, e a explicação pode estar ligada à importância da narrativa como uma forma de estimular a imaginação e as habilidades criativas das pessoas. Não me parece ser nenhuma coincidência que o período mais importante para o crescimento intelectual e o desenvolvimento cultural de um ser humano, entre os três e os dez anos de idade, seja muitas vezes a época de maior interesse pelos dinossauros - como os meus próprios pais poderiam confirmar. A empolgação sentida pelas crianças ao verem pela primeira vez um esqueleto de dinossauro é fantástica. Como bem disse o falecido Stephen Jay Gould - provavelmente um dos maiores responsáveis pela popularização da história natural como ciência -, os dinossauros nos cativam porque são animais "grandes, assustadores e [para a nossa sorte] mortos", e é verdade que seus enormes esqueletos causam um forte impacto no universo criativo dos mais jovens.

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"Dinossauros"
Autor: David Norman
Editora: L&PM Editores
Páginas: 192
Quanto: R$ 11,90 (preço promocional)
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

 
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