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01/06/2011 - 19h00

Estudo analisa caráter do responsável pelo extermínio dos astecas

da Livraria da Folha

Com base em pesquisas, cartas, memórias e diários de viagens, "Hernán Cortez: Civilizador ou Genocida?" narra a história do conquistador que oscila entre o símbolo da destruição e o responsável pelo nascimento de um novo mundo.

Divulgação
Marcado como conquistador, Hernán Cortez guarda muitas ambiguidades
Marcado como conquistador imoral, Cortez guarda muitas ambiguidades

Cortez (1485-1547) foi o líder da campanha que derrotou um dos maiores impérios da América, dizimou os astecas e conquistou o território que hoje constitui o México.

"Conquistador, estrategista, manipulador, astuto, sanguinário, piedoso, cruel, amado, odiado, culto, conhecedor de leis, muitos foram os adjetivos atribuídos a ele ao longo dos séculos. Todos concordam, contudo, que sua figura é indissociável da conquista da América e das violentas guerras travadas entre espanhóis e indígenas", conta o autor.

Escrito pelo historiador Marcus Vinícius de Morais, coautor de "Eles Formaram o Brasil", o exemplar relata um dos maiores choques culturais da história e seus protagonistas.

O título faz parte da coleção "Guerreiros", uma série da editora Contexto que apresenta os grandes estrategistas militares do mundo. Leia, abaixo, um trecho do livro.

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DA MORTE À IMORTALIDADE

O FIM E O COMEÇO

Cortez penhorou suas joias, vendeu uma de suas casas e ditou seu testamento. Incomodado com inúmeras dívidas e cansado de receber visitas, mudou-se para o pequeno povoado chamado Castilleja de La Cuesta, de poucos habitantes, a 5 km de Sevilha. Praticamente se isolou.

Divulgação/Editora Contexto
Representação do século 17 de Cortez com ar piedoso e vestimenta militar
Representação do século 17 de Cortez com ar piedoso e armadura

Velho e cansado, sofrendo de cólicas e disenteria, Cortez em nada se parecia com o destemido soldado de tempos atrás, protagonista de aventuras inimagináveis no coração da América. Agora, de nada lhe adiantavam as antigas glórias e as honras pelas quais tanto lutara. A força, a energia e a coragem do guerreiro haviam sido minadas pela ação impiedosa do tempo. As mesmas mãos que empunharam tantas espadas, não tinham vitalidade nem mesmo para assinar documentos, precisando de ajuda para segurar a pena. Foi assim, debilitado, que o capitão espanhol passou seus últimos dias. Nas horas de maior agonia pôde contar apenas com os cuidados de Joana de Quintanilha e do amigo e médico Cristóvão Mendes.

O capitão Cortez viria a falecer numa sexta-feira, aos 62 anos, no dia 2 de dezembro de 1547, 26 anos após a conquista da grande Tenochtitlán. Sua partida teve poucas testemunhas: seu filho Martim, um padre, um primo e um amigo. O ritual fúnebre completou-se dois dias depois, quando o corpo finalmente foi enterrado após ser levado em cortejo acompanhado por capelães das paróquias vizinhas.

A morte de Cortez, contudo, marcou alguns começos. Suas proezas e aventuras foram registradas e relatadas como feitos importantíssimos, que se tornaram lendários e passaram a ocupar as páginas da História. Como personagem histórico, Cortez virou figura polêmica: herói ou vilão? Perverso ou piedoso? Político ou sanguinário? Fiel ou maquiavélico? E passou, então, a ser julgado pelo tempo. Sua imagem seria interpretada, construída e reconstruída de diversas maneiras ao longo da história e seus diferentes períodos, de acordo com interesses e questionamentos variados. Assim, uma vida - repleta de viagens, aventuras, guerras e paixões - adquiriu diferentes significados com o passar dos séculos. Povos e épocas distintos constituiriam memórias próprias do capitão espanhol, e o fazem até hoje. Assim, não é arriscado afirmar que sempre existirão diversos "Cortezes", respondendo às angústias e aos problemas dos homens que leem a história sob distintas óticas.

Diante de tal figura, cabe, então, a mesma interrogação proposta por Hamlet: "Você está à altura do seu destino?".

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"Hernán Cortez: Civilizador ou Genocida?"
Autor: Marcus Vinícius de Morais
Editora: Editora Contexto
Páginas: 208
Quanto: R$ 31,50 (preço promocional de lançamento)
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

 
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