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02/06/2011 - 20h00

Cirurgiões ainda usam princípios descobertos há mais de 2.000 anos

da Livraria da Folha

Procedimentos cirúrgicos e conhecimento sobre anatomia descobertos antes de Cristo ainda são usados por médicos no século 21. Galeno, nascido na província romana de Pérgamo, foi responsável por grande parte do desenvolvimento de suturas e outros métodos para manter os gladiadores vivos.

Reprodução
Livro sobre história da medicina baseado no documentário homônimo da BBC
Volume baseado no documentário homônimo produzido pela rede BBC

Sem anestesias para diminuir a dor ou o recurso de raios-X para determinar os danos internos do ferido, as operações eram realizadas em lugares com condições precárias de higiene.

Conta-se que, para conseguir o cargo nas arenas --profissão muito disputada na época--, Galeno abriu o estômago de um macaco, suturou e o manteve vivo. Entre falhas e sucessos, "Sangue e Entranhas", do jornalista científico Richard Hollinghan, dedica um capítulo ao médico e às suas conquistas.

O livro reúne diversos episódios do gênero. A história da medicina, mais que outros ramos da ciência, conta com personalidades inspiradoras e práticas assustadoras, uma trajetória digna de dr. Frankenstein. O texto --baseado no documentário homônimo da BBC-- é uma compilação de procedimentos estranhos que renderam alguns acertos heroicos e muitos erros desastrosos.

Abaixo, leia um trecho extraído do exemplar.

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DENTRO DO CORPO

Pérgamo, a província romana na Ásia Menor (Oeste da Turquia)

As lutas de gladiadores eram o ponto alto do entretenimento romano, um glamoroso espetáculo de habilidade, emoção e derramamento de sangue. A data do evento era de celebração, e o anfiteatro ficava lotado de multidões de espectadores prontos para se divertir.

O dia começava com a apresentação de criaturas exóticas, aprisionadas nos lugares mais distantes do Império - leopardos, cavalos selvagens e um urso furioso. Os animais eram fustigados em demonstrações artificiais de caça. Alguns eram mortos, mas outros salvos e usados como executores para destroçar criminosos que eram atados a estacas, diante da plateia ululante. Quando os gladiadores entravam na arena, eles agitavam os braços para ouvir os gritos dos espectadores, que os idolatravam como celebridades, com seus corpos musculosos admirados pelos homens e adorados pelas mulheres.

Os gladiadores lutavam aos pares - um guerreiro portando pesada armadura contra um oponente muito destro, com uma rede e um tridente; um lutador com espadas enfrentando outro com lanças e punhais. Embora acontecesse em um tipo de palco, a brutalidade da luta era aterradora - e alucinantemente real. Os homens se defrontavam para ferir, aniquilar, vencer. Eles eram orientados para ferir as artérias do pescoço e a parte traseira dos joelhos. Era uma luta até a morte, mas eles não podiam decidir a respeito. A escolha de que gladiador deveria viver ou morrer era uma prerrogativa do patrocinador do evento. Só ele poderia ordenar se o vitorioso poderia desfechar um último e fatal golpe. Mas não permitia que muitos fossem mortos - se assim fizesse seria como aniquilar metade do elenco de atores a cada apresentação de uma peça -, pois seria obrigado a compor substitutos.

Dentro da hierarquia da sociedade romana, os gladiadores estavam no fundo da escória. Eram escravos e membros do que era considerada uma profissão vergonhosa. Sua posição era semelhante à das prostitutas e, é claro, dos atores. Mas, apesar da falta de liberdade e seu status aparentemente baixo, eram treinados como a elite dos esportistas. Seu rigoroso treinamento era complementado por uma dieta de alta energia e o melhor que havia em cuidados de saúde. O posto de médico dos gladiadores, em Pérgamo, ou qualquer outra cidade importante do Império, era de grande prestígio. Os gladiadores mais célebres reivindicavam seus próprios cirurgiões, também entre os mais famosos na prática. Essa era uma posição perfeita para um diretor de espetáculo como o ambicioso Cláudio Galeno.

Galeno era servo do deus da cura, Asclépio, e havia estudado com médicos muito destacados. Isso não necessariamente faria dele um cirurgião, mas ele sabia impressionar. Quando foi entrevistado para o posto de médico dos gladiadores, Galeno levou consigo um macaco. Então, ali mesmo, abriu o estômago do animal e suturou logo em seguida. - Alguém é capaz de fazer isso? - perguntou. Conseguiu o emprego e, como bônus adicional, o macaco sobreviveu.

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"Sangue e Entranhas"
Autor: Richard Hollingham
Editora: Geração Editorial
Páginas: 360
Quanto: R$ 35,70 (preço promocional de lançamento)
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

 
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