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09/07/2011 - 10h00

Obra romantiza relação lésbica de Elizabeth Bishop e brasileira

da Livraria da Folha

Divulgação
Livro romanceia relacionamento amoroso entre Lota e Elizabeth Bishop
Livro romanceia relacionamento amoroso entre Lota e Bishop
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"A Arte de Perder" (Leya, 2011), do escritor Michael Sledge, produz uma biografia romantizada da relação amorosa entre a poeta norte-americana Elizabeth Bishop (1911-1979) e a paisagista e urbanista brasileira Lota de Macedo Soares (1910-1967), responsável pelo projeto do parque do Flamengo, no Rio de Janeiro.

Viajante do mundo, a escritora veio ao Brasil em 1951, programada para ficar durante duas semanas no país. Aqui se apaixonou por Lota e ficou durante 15 anos. Só foi embora pouco antes do suicídio da companheira.

As duas tiveram um relacionamento cheio de poesia, que começou a se desestabilizar, entre outras coisas, por conta do projeto do parque do Flamengo, que tomou conta do dia a dia da paisagista.

Bishop produziu grande parte de sua obra no Brasil e manteve relação com sua terra natal por meio de cartas trocadas com a poeta Marianne Moore (1887-1972), considerada a sua mentora na poesia, e com o também poeta Robert Lowell (1917-1977), entre outros. Interessada pelo modernismo brasileiro, fez amizade com artistas como Vinicius de Moraes (1913-1980) e Manuel Bandeira (1886-1968).

AP
Elizabeth Bishop em foto de 1951, ano em que chegou ao Brasil pelo porto de Santos; poetiza escreveu maior parte de sua obra no país
Elizabeth Bishop em foto de 1951, ano em que chegou ao Brasil pelo porto de Santos; poetiza escreveu maior parte de sua obra no país

Com ampla pesquisa, Michael Sledge se baseou nas correspondências da escritora e entrevistas para desenvolver a biografia romantizada. Fidedigno aos acontecimentos reais, ele cita trechos das missivas e de poemas. O nome do livro faz menção ao primeiro verso de "One Art", da americana, que diz "The art of losing isn't hard to master;" ("A arte de perder não é difícil de dominar;" em livre tradução).

Uma adaptação para o cinema com a história das duas está em produção pelo cineasta Bruno Barreto e tem a atriz Glória Pires no papel da paisagista. O filme se baseia na biografia "Flores Raras e Banalíssimas", sobre Lota e Bishop, da escritora brasileira Carmem Lucia de Oliveira.

Sentidos escondidos

A produção poética de Bishop tinha ritmo lento. A escritora levava anos para terminar um poema e publicou, ao todo, 101 deles em vida. Com muita precisão técnica, ela fazia afrescos sobre o mundo utilizando as palavras, sempre com camadas de significado e sentimentos implícitos. Ligada à imagem, a artista também gostava de desenhar e pintar.

Sua obra prima celebrada pela crítica é o livro "Geography III", que a consagrou como uma das principais vozes da literatura no século 20. Ele está presente nas obras completas da autora, em volume editado pela Companhia das Letras nos anos 1990, no momento esgotado.

Monte sua estante com obras de Elizabeth Bishop

Leia trecho de "A Arte de Perder".

*

Lota atendeu o telefone, com voz rouca, inesperadamente sedutora.

- Elizabeth - ela disse de forma direta, sem se perder em gracinhas. - A que horas devo esperá-la amanhã no Rio? - perguntou Elizabeth, também indo direto ao ponto.

- O arquiteto acabou de chegar. Estamos esperando uma entrega de material para esta tarde, para o telhado. - Havia um tom de irritação na voz de Lota. No fundo, gritos de crianças, um adulto chamando-lhes a atenção, tinidos e canglores; a vida de uma casa.

- Não é uma boa hora para eu ir? - ela perguntou claramente, embora sentisse o desmoronar de alguma esperança secreta e íntima.

- Você é bem vinda a qualquer hora. Posso lhe dizer como pegar o ônibus. É muito simples.

- Não me incomodo em adiar para quando for mais conveniente.

- Venha se quiser. Você decide.

Elizabeth anotou as instruções para o ônibus, mas já sabia que não ira a Samambaia. Pelo menos não naquele dia. Reconheceu algo excessivo em seu desejo de tornar a ver Lota, bem como em sua decepção quando essa perspectiva diminuiu. Pearl esclareceu-a:

- Esta é uma maneira brasileira de falar - explicou, quando Elizabeth telefonou. - Eles podem ser bem displicentes¹ em assuntos como este.

Loozey-goozey é o que Lota diria mais tarde, enrolando as palavras em torno da língua. Yes, we Brazilians can be very loozey-goozey.
- Eu estava com vontade de ir, e Lota disse que sou bem-vinda.

- Então você tem mesmo que ir - disse Pearl. - Elas convidaram você e falavam sério.

¹ Tradução livre da expressão loosey-goosey.

*

"A Arte de Perder"
Autor: Michael Sledge
Editora: Leya
Páginas: 320
Quanto: R$ 33,90 (preço promocional, por tempo limitado)*
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

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