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11/09/2011 - 19h00

Pobres e príncipes eram refugiados na Segunda Guerra; leia trecho

da Livraria da Folha

Em "Um Homem Bom", Rui Afonso relata que a procura por vistos para fugir da França invadida pelos nazistas era comum a todas as classes sociais, de pobres a príncipes.

Segundo a pesquisa realizada pelo autor, membros da classe média e os mais informados sobre a condição política da época engrossavam as filas nos consulados. "Contudo, as pessoas comuns habitualmente não escreveram as suas memórias", explica.

O livro narra a história de Aristides de Sousa Mendes, cônsul português em Bordeaux, na França, durante a Segunda Guerra Mundial. Com a invasão nazista, Salazar, aliado a Hitler, suspendeu a emissão de vistos para refugiados. O diplomata ignorou as ordens do ditador e salvou milhares de vidas. Leia um trecho do exemplar.

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Reprodução
Livro conta a história do diplomata que desafiou ordens de Salazar
Livro conta a história do diplomata que desafiou ordens de Salazar

Os refugiados que entravam no consulado eram de toda a espécie: príncipes e pobres. Não deve constituir surpresa para ninguém que fossem principalmente pessoas de classes sociais consideráveis ou pelo menos de classe média. Dinheiro significava mobilidade. o receio dos nazistas tendia também para aumentar com o nível de educação e de informação política. Aumentava também de acordo com o nível de proeminência social. O fato de muitas pessoas que recebiam vistos serem gente perfeitamente comum é confirmado pelo grande número de refugiados que posteriormente receberam ajuda financeira em Portugal. Contudo, as pessoas comuns habitualmente não escreveram as suas memórias, e, lamentavelmente, as suas biografias tornaram-se muitas vezes apenas uma história coletiva.

É importante dizer isso para que não se crie a falsa impressão de que as únicas pessoas que procuravam fugir de Bordeaux naqueles dias críticos eram refugiados ricos e influentes. Havia certamente gente desse tipo entre os que receberam vistos, mas não eram essas as pessoas com quem Sousa Mendes mais se preocupava. Os ricos podiam sempre achar maneira de obter passagens de avião ou de barco e o visto de além-Atlântico exigidos pelos regulamentos de Salazar. eram aqueles que não tinham essas possibilidades que preocupavam Sousa Mendes.

Pérfidos boatos circulavam já em Bordeaux, segundo os quais os refugiados que tanto queriam sair da França eram essencialmente capitalistas judeus, suas amantes e dependentes e desertores. essa crescente maré de antissemitismo, nascida do trauma da derrota, pesava inegavelmente no medo dos refugiados e no seu desejo de fugir.

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"Um Homem Bom"
Autor: Rui Afonso
Editora: Casa da Palavra
Páginas: 400
Quanto: R$ 43,00 (preço promocional*)
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques. Não cumulativo com outras promoções da Livraria da Folha. Em caso de alteração, prevalece o valor apresentado na página do produto.

 
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