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31/08/2011 - 14h00

Dores e alergias sem explicação fazem médicos brincarem de detetives

da Livraria da Folha

Divulgação
Leitor é testemunha e detetive na tentativa de desvendar sintomas
Leitor é testemunha e detetive na tentativa de desvendar sintomas

É sempre um alívio quando o médico descobre o motivo da dor. Acontece que muitas vezes, esse processo pode ser demorado e nem sempre bem-sucedido. E por mais que a medicina tenha evoluído e se modernizado, ainda há muito o que se aprender, e não serão todas as vezes que a vida de um paciente será salva.

A noção da dificuldade de um diagnóstico médico só ficou mais clara com as séries de televisão, principalmente "House", onde toda a graça da coisa é descobrir de um jeito ou de outro o que o paciente tem. É claro que na telinha o processo todo tem um ar para lá de pitoresco, apesar de ser mantida uma dose de realismo considerável.

O seriado em questão foi inspirado na coluna mensal de Lisa Sanders, clínica geral da Faculdade de Medicina da Universidade de Yale, publicada na New York Times Magazine.

Sanders, que se tornou consultora técnica do programa, também assina o livro "Todo Paciente Tem uma História para Contar", onde explica diagnósticos raros e cheios de lacunas, assim como na série, com toda a dificuldade que a vida real impõe. O leitor vira testemunha de todo o cauteloso processo que é encontrar explicações para as mais misteriosas doenças, quais os primeiros indícios, o diagnóstico errado, os detalhes que faltaram e como encontraram as causas verdadeiras de cada sintoma.

Todos os casos ali relatados são reais e ilustram conjuntos de sintomas que atuam juntos e provocam consequências variadas e até mortais. O tempo acaba sendo quase sempre o pior empecilho na busca da cura, mas os próprios pacientes também dificultam os processos com mentiras e crenças.

A obra atende a curiosidade de dois públicos distintos, desde os que simplesmente se interessam em compreender todo o tipo de elementos que podem gerar uma doença, até os reais estudantes de medicina que começam a dar mais atenção para essa área, geralmente ofuscada por outros especialidades.

O diagnóstico desses sintomas incomuns é comparado ao trabalho do detetive fictício Sherlock Holmes. A própria série já confirmou que se inspirou no personagem para construir o de House, algo que a autora Lisa Sanders também concorda.

Embora seja necessário conhecimento quase enciclopédico de centenas de doenças, as formas que se manifestam e inúmeros outros tópicos, o que conta muito para o sucesso é a arte de observar os detalhes. Um dos maiores ganhos dessa prática, para pacientes e médicos, é a possibilidade do diálogo entre profissional e paciente, que pode auxiliar no resgate de traumas e até fazer um papel terapêutico. Além disso, com esse pensamento, os envolvidos não ficam reféns das novas tecnologias (é claro que elas ajudam e são eficientes, apesar de também cometerem erros, as tecnologias, mas o fator humano sempre deve ser levado em conta) e listas prontas de doenças.

Em "Todo Paciente Tem uma História para Contar" essa particularidade fica muito clara e curiosa, pois de um instante para outro, uma simples mentira pode desencadear uma cadeia de eventos. É nesse sentido que o título provoca. Vai um pouco de encontro com o jargão utilizado na série "todo mundo mente".

Todo mundo tem uma história para contar, e ela pode salvar sua vida.

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"Todo Paciente Tem uma História para Contar"
Autora: Lisa Sanders
Editora: Zahar
Páginas: 328
Quanto: R$ 38,00
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

 
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