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07/09/2011 - 13h00

Latinos têm que deixar obsessão pela história e viver futuro, diz autor

da Livraria da Folha

Em tempos de "Guia Politicamente Incorreto da América Latina", um autor norte-americano brada suas verdades na direção oposta. O jornalista ganhador do prêmio Pulitzer Andrés Oppenheimer acaba de lançar no país a obra "Basta de História! - A Obsessão Latino-Americana com o Passado e as 12 Chaves do Futuro" (Objetiva, 2011).

Divulgação
Obra prega que latinos esqueçam passado e se preocupem com futuro
Obra prega que latinos esqueçam passado e planejem futuro

Na obra, o autor defende que os latinos americanos devem acabar com a tradição e o preservacionismo para investir com mais força na educação, na ciência, na tecnologia e na inovação, pois o século 21 é a era do conhecimento.

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Para Oppenheimer, essas nações precisam deixar de lado sua obsessão pelo passado e começar a pensar no futuro. Apenas assim avançarão como os países globalizados.

O jornalista também faz um apelo para que os governos cessem com os hábitos populistas e deixem de investir apenas na venda de matérias-primas e manufaturados básicos para produzir produtos com maior valor agregado.

O livro foi elogiado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que exalta o autor como alguém com a capacidade de visualizar problemas que, internamente, não conseguimos perceber. Um texto do sociólogo brasileiro integra o volume.

Oppenheimer também é autor do livro "Contos-do-Vigário", no qual tece um critica completa ao que chama de populismo dos governos da América Latina.

Leia trecho de "Basta de História!".

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Abaixo os economistas, vivam os educadores!

Poucos meses depois de publicado o estudo de Harvard, assisti à Conferência do Fórum Econômico Mundial em Dubai, Emirados Árabes Unidos, em que se chegou à mesma conclusão, não só para o México mas também para a maioria dos países em desenvolvimento. Tratava-se de uma reunião de economistas, cientistas políticos e diplomatas de todo o mundo para discutir qual seria a melhor agenda que os países emergentes deveriam seguir para acelerar seu crescimento e reduzir a pobreza. Curiosamente, a conclusão majoritária do painel sobre a América Latina não foi a de recomendar reformas econômicas, mas educacionais.

César Gaviria, ex-presidente colombiano e ex-secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), foi um dos participantes do encontro que melhor expôs essa ideia. Depois de ter governado seu país durante quatro anos e dirigido a OEA por outros dez, Gaviria havia viajado por todos os países latino-americanos e lido tudo quanto era estudo sobre como reduzir a pobreza na região. E, após todos esses anos, chegara à mesma conclusão.

"O problema da desigualdade na América Latina não é um problema de crescimento econômico, mas de educação", me disse Gaviria, fora da conferência. "Nós temos uma ideia economicista, oriunda do Consenso de Washington, segundo a qual a economia é que vai nos salvar. Claro, a economia é um pressuposto necessário, mas, se não for acompanhada por uma educação de qualidade, não adianta. É um erro acreditar que todos os problemas da sociedade se resolvem com crescimento econômico: o crescimento não resolve a pobreza, a pobreza é resolvida com a educação."

De fato, a má qualidade da educação produz desigualdade social porque condena à marginalização boa parte da população. As crianças de famílias rurais, os indígenas e os pobres que vivem nas grandes cidades latino-americanas são expulsos de suas escolas por sistemas educacionais que não sabem como retê-los. Na América Latina temos o costume - que não existe nos países desenvolvidos, nem em muitos países asiáticos em desenvolvimento - de fazer os alunos de baixo rendimento repetirem o ano, como se fosse culpa exclusiva deles, e não do sistema escolar, o fato de terem fi cado para trás em relação aos seus colegas. E então as crianças que repetem o ano entram numa espiral negativa que acaba induzindo-as a abandonar a escola.

Segundo o Instituto de Estatísticas Educacionais da Unesco, a porcentagem de alunos de primeira série que são obrigados a repetir o ano é de 19% no Brasil, 11% na Argentina e 7% no México. Comparativamente, o índice é de 0% nos Estados Unidos, Coreia do Sul, Cingapura e Finlândia. Nestes últimos países, como veremos adiante, investem-se enormes recursos no apoio aos estudantes mais fracos para não os fazer repetir a série. Na Finlândia, por exemplo, os alunos com baixo rendimento recebem atenção personalizada de "professoras especiais" em suas escolas, e se, apesar disso, não conseguirem acompanhar o ritmo dos colegas de classe, são enviados a escolas de educação especial onde podem completar seus programas de estudo mediante sistemas de aprendizagem apropriados a eles.

Na América Latina, em contraposição, os alunos de baixo rendimento em geral, vindos dos setores marginalizados da sociedade são reprovados e induzidos a abandonar a escola, mais cedo ou mais tarde. Então, por mais que a economia do país cresça, a maior parte dos pobres não consegue sair da marginalização. Estão condenados a vender bugigangas nas ruas porque não têm a educação necessária para conseguir empregos na economia formal.

"Não é por acaso que na América Latina temos a maior desigualdade do mundo", comentava Gaviria. "Em vez de ser uma fonte de igualdade, a educação na América Latina é uma fonte de desigualdade. Quando a educação não funciona, os principais beneficiários do crescimento econômico são os trabalhadores qualificados, e a desigualdade aumenta. Os asiáticos entenderam isso muito bem e se dedicaram, desde várias décadas atrás, a melhorar a qualidade educacional de todos, para dar aos pobres as mesmas oportunidades de ascensão social."

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"Basta de História! - A Obsessão Latino-Americana com o Passado e as 12 Chaves do Futuro"
Autor: Andres Oppenheimer
Editora: Editora Objetiva
Páginas: 392
Quanto: R$ 42,50 (preço especial, por tempo limitado)
Onde comprar: Pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques. Não cumulativo com outras promoções da Livraria da Folha. Em caso de alteração, prevalece o valor apresentado na página do produto

 
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