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21/10/2011 - 10h00

Fazer duas coisas ao mesmo tempo estraga capacidade de atenção, diz livro

da Livraria da Folha

Usar o Twitter, falar ao telefone e finalizar um trabalho, tudo ao mesmo tempo, pode não ser tão produtivo quanto parece. É o que diz o livro "Truque da Mente" (Zahar, 2011), que explica os conhecimentos da neurologia e do cérebro humano por meio dos segredos por trás dos truques de mágica. A obra tem alertas de spoiler para quem não quer que os shows percam a graça.

Reprodução
Obra revela como nossa percepção pode ser facilmente enganada
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Uma das principais características cerebrais aproveitadas pelos ilusionistas é incapacidade do ser humano de prestar atenção em duas coisas simultâneas. É assim que nos distraem e fazem a magia acontecer. Por isso, dirigir ao celular é tão perigoso quanto comandar o volante completamente bêbado.

De acordo com o livro, escrito pelos neurocientistas Stephen L. Macknik e Susana Martinez-Conde, quando tentamos executar várias atividades ao mesmo tempo, acabamos por não fazer nada perfeitamente e, a longo prazo, por precisarmos estar alertas sempre com muitos acontecimentos, perdemos a capacidade de nos focar.

Em seu depoimento no volume, Clifford Nass, especialista em comunicação da Universidade Stanford, é incisivo. "Os adeptos crônicos das multitarefas 'são tarados pela irrelevância' (...) 'Tudo os distrai.'". Na sequência da fala, o livro explica melhor o postulado do acadêmico. "Eles não conseguem ignorar as coisas, não conseguem lembrar-se delas tão bem e têm menos autocontrole."

"Truques da Mente" revela como mágicos enganam o cérebro

No mesmo capítulo, o neurologista Russ Poldrack, da Ucla, explana as atividades cerebrais envolvidas no processo das multiplas tarefas (veja abaixo) e avisa. "Os seres humanos não foram feitos para funcionar dessa maneira".

Para aqueles que querem tudo, ao mesmo tempo e agora, a obra recomenda. "Faça uma coisa de cada vez."

Leia trecho da página 99 de "Truques da Mente".

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Sobre as Multitarefas

Você acha que pode digitar uma mensagem de texto enquanto dirige? Que pode ouvir música ao mesmo tempo que paga suas contas, manda recados pelo Twitter e monitora um jogo de futebol pela televisão? Que pode redigir um e-mail, jogar paciência e verificar as cotações das ações enquanto tem uma discussão com seu cônjuge?

Pois está enganado. Uma década de pesquisas mostra que o dom das multitarefas - a capacidade de fazer várias coisas simultaneamente, com eficiência e bem-feitas - é um mito. O cérebro não foi projetado para atentar para duas ou três coisas simultâneas. Ele é configurado para reagir a uma coisa de cada vez.

As pesquisas mostram que não se pode dar completa atenção à tarefa visual de dirigir e à tarefa auditiva de escutar, mesmo que se utilize um aparelho viva-voz. Na verdade, as pessoas que conversam pelo celular enquanto dirigem têm o mesmo foco de atenção das que estão bêbadas, segundo padrões legais. Quando presta atenção à conversa telefônica, o indivíduo "diminui o volume" das partes visuais do cérebro, e vice-versa.

Os estudos também mostram que as pessoas que são bombardeadas por vários fluxos de informações eletrônicas não prestam atenção, não controlam a memória nem passam de um assunto para outro tão bem quanto as que concluem uma tarefa de cada vez. Os adeptos crônicos das multitarefas "são tarados pela irrelevância", diz Clifford Nass, professor de comunicação na Universidade Stanford. "Tudo os distrai." Eles não conseguem ignorar as coisas, não conseguem lembrar-se delas tão bem e têm menos autocontrole.

Outro colega nosso, Russ Poldrack, da Ucla, mostra que as pessoas usam o corpo estriado, uma região do cérebro envolvida na aprendizagem de novas habilidades, quando estão distraídas, e usam o hipocampo, uma área envolvida na armazenagem e recuperação das informações, quando não estão distraídas. "Temos de estar cientes de que há um preço a pagar pela maneira como nossa sociedade vem se modificando, de que os seres humanos não foram feitos para funcionar dessa maneira", diz Poldrack.

"Fomos realmente estruturados para nos concentrar. E, quando nos forçamos a exercer uma multiplicidade de tarefas, talvez estejamos contribuindo para que percamos eficiência a longo prazo, ainda que às vezes pareçamos estar sendo mais eficientes."

Os mágicos sabem que o dom das multitarefas é uma lenda urbana. Por isso, utilizam uma abordagem do tipo "dividir para conquistar": cindem a atenção do espectador para que ele não possa se concentrar por inteiro em nenhuma parte do palco em determinado momento.

Quando uma lista de tarefas tem páginas de comprimento, você pode sentir a tentação de fazer duas coisas de cada vez - por exemplo, responder e-mails em seu iPhone enquanto participa de uma reunião de equipe. O provável é que você não execute bem nenhuma das duas tarefas. Para ter um desempenho melhor, faça uma coisa de cada vez.

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"Truques da Mente: O Que a Mágica Revela Sobre o Nosso Cérebro"
Autores: Stephen L. Macknik e Susana Martinez-Conde (com Sandra Blakeslee)
Editora: Zahar
Páginas: 320
Quanto: R$ 36,90 (preço promocional, por tempo limitado)
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques. Não cumulativo com outras promoções da Livraria da Folha. Em caso de alteração, prevalece o valor apresentado na página do produto.

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