Inflação pressiona venda de supermercados, dizem analistas
Setor dos mais dinâmicos da economia nos últimos dez anos diante da inclusão de pessoas no mercado de consumo graças a programas sociais e à melhora do mercado de trabalho, o comércio já sente em 2013 os efeitos negativos da inflação maior, do rendimento em desaceleração e da freada na geração de novas vagas.
O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou nesta quinta-feira (13) que as vendas do varejo cresceram 0,5% em abril, na comparação com março, e 1,6%, na comparação com o mesmo mês do ano passado.
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Para o Itaú, a "principal surpresa" negativa veio das vendas de supermercados (queda de 0,5% ante março). Isso porque, diz o banco, os números da Abras (associação de supermercados) apontavam para um crescimento de 0,6%.
Sobre um ano antes, essas vendas caíram 5,4% em abril, único resultado negativo entre os segmentos pesquisados.
"O crescimento continua positivo no ano, embora em ritmo mais lento, mas ainda com perspectiva de aumento (no ano)", disse o vice-presidente da Abras, João Sanzovo, em coletiva de imprensa nesta quarta-feira.
A associação manteve sua estimativa de aumento de 3,5% nas vendas dos supermercados no Brasil em 2013, embora possa vir a revisar as estimativas caso a economia brasileira continue crescendo em ritmo menor que o esperado.
"Com o PIB bem abaixo da expectativa, a gente vê desaquecimento e o setor também sente. Se essa situação (de desaceleração do PIB) não se reverter, é possível que a gente tenha que rever nossa estimativa de crescimento de vendas. Mas precisamos ver o que o governo vai fazer com juros", disse Sanzovo.
ABRASMERCADO
A associação também informou que o valor da Abrasmercado, cesta com 35 produtos, teve alta de 0,79% em abril, ante março, para R$ 357,98, ainda refletindo uma pressão inflacionária nos alimentos.
"O resultado mostra essa pressão altista. A prévia do IPCA de maio veio em patamar um pouco abaixo e a tendência no decorrer do ano é que a inflação comece a arrefecer. Só que ainda estamos falando de patamar alto, próximo de 6 por cento (no IPCA)", disse Tayra.
Em abril, os produtos com as maiores altas foram a carne dianteira, com aumento de 7,88%, e a batata, com crescimento de 6,94%. Na outra ponta, destaque para o tomate e para o açúcar, com quedas de 6,27% e 3,72%, respectivamente.
No acumulado do ano, a cesta Abrasmercado tem alta de 4,74%.
IBC-BR
Diante do resultado do comércio em abril, O Itaú diz que o "resultado pode reduzir um pouco a nossa estimativa para o Índice de Atividade Econômica do Banco Central", que será divulgado amanhã e cuja previsão inicial era de alta de 0,7%.
O mais "preocupante", segundo analistas, foi a taxa comparada com abril de 2012 voltar ao menor patamar de crescimento (1,6%) desde 2003, quando o país vivia um período de contração forte da economia.
Para Fábio Bentes, economista da CNC (Confederação Nacional do Comércio), o dado de abril "foi muito fraco" e coroou um "primeiro quadrimestre muito ruim para o comércio". O principal motivo para a piora, diz, é a inflação mais alta.
A entidade revisou para baixo sua projeção para o setor neste ano devido ao fraco resultado do primeiro quadrimestre, de alta de apenas 3% nas vendas.
Até sair o dado de abril, a estimativa era de expansão de 4,5% a 5%. Agora, passou para uma faixa de 4% a 4,5% --em torno da metade do crescimento de 8,5% observado pelo IBGE em 2012.
"O comércio vive uma desaceleração desde o segundo semestre de 2012, quando a inadimplência subiu. Mas a situação ficou pior com a inflação persistentemente mais elevada."
Outro fator, diz, é "a perda de fôlego do mercado de trabalho", com a freada do rendimento diante de uma oferta de empregos que não se mostra mais tão firme quanto no ano passado e da corrosão dos salários pela inflação maior.
INCENTIVOS
Bentes disse que parte da desaceleração do segundo semestre de 2012 se deve ao esgotamento da política de incentivos fiscais do governo à compra de veículos e eletrodomésticos --que seriam retirados gradualmente neste ano, mas acabaram por prorrogados.
Apesar dessa política de estímulo lançada em 2008 já não mostrar a mesma eficácia de anos anteriores, o ramo de veículos registrou expansão de 22,4% ante abril de 2012 por conta do maior número de dias úteis naquele mês em 2013 e também da renovação do IPI reduzido, que levou a promoções das distribuidoras de automóveis.
Já o setor de eletrodomésticos avançou 9,2%, também na esteira do incentivo.
Outro setor que melhorou em abril foi o de combustíveis, com alta de 8,3% na comparação anual graças aos preços mais baixos de gasolina e etanol por conta da safra maior de cana-de-açúcar e da maior oferta de álcool no mercado.
O derivado de petróleo recebe 25% do biocombustível em sua composição. Por isso, seus preços também recuaram.
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