FLAVIA LIMA
DE SÃO PAULO

O PIB (Produto Interno Bruto) cresceu 0,3% em novembro sobre outubro, o que deve ter levado a economia a registrar alta de 1,1% em 2017. Em 12 meses, até novembro, a alta foi de 0,8%.

Os números são do Monitor do PIB, da FGV (Fundação Getulio Vargas). Os dados oficiais serão divulgados pelo IBGE no início de março.

Como já vinha sendo apontado, a contribuição da agropecuária foi fundamental para o resultado de 2017.

Sem ela, indica a FGV, a atividade teria avançando apenas 0,5% no ano passado, bastante influenciada pelo consumo das famílias.

Silvia Matos, economista do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV, reconhece que seria natural esperar por uma alta do PIB mais robusta em 2017, após 11 trimestres de recessão.

Ela explica, porém, que após um forte ciclo de crédito e alto endividamento das famílias, o processo de retomada econômica costuma ser mais demorado.

Além disso, colaboraram com o quadro de crescimento mais lento juros ainda altos na maior parte do ano, o recuo dos bancos públicos na concessão de crédito e a baixa capacidade de investimentos do governo. "O desajuste macroeconômico interno foi grande", diz ela.

FRÁGIL RECUPERAÇÃO

Para 2018, a expectativa do Ibre/FGV é de uma alta de 2,8% do PIB. A despeito disso, a dinâmica de recuperação econômica ainda é vista como delicada em razão da fragilidade fiscal.

"A recuperação ainda não está garantida porque falta o pilar fiscal", diz Matos.

O temor é que um descontrole das contas do governo leve investidores a fugir de ativos brasileiros, o que afetaria o câmbio e pressionaria a inflação. Em um quadro como esse, o Banco Central poderia ter que voltar a elevar a taxa básica de juros, reduzindo as chances de uma reação mais forte da economia.

No geral, no entanto, a percepção é que o cenário externo segue favorável. Thiago Xavier, economista da Tendências Consultoria, diz que o monitor é mais um dos traços a indicar o ritmo e o processo de retomada econômica em curso.

Luiz Fernando de Paula, da Uerj, destaca que, mesmo lento para uma economia que está saindo de uma forte recessão, o crescimento do PIB começa a favorecer a arrecadação tributária e trazer até mesmo alguma melhoria dos indicadores fiscais.

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