Agências pequenas miram turismo sustentável para ganhar espaço

Segmento pouco explorado é saída para conseguir concorrer com gigantes do setor

Anna Rangel
Amsterdã

Para uma agência pequena se destacar e ganhar competitividade na área de turismo, não basta vender pacotes parecidos com os de gigantes do setor.

Há um segmento ainda pouco explorado e que pode virar negócio para os pequenos: o turismo sustentável de base ambiental ou social.

Para a presidente da Braztoa (Associação Brasileira das Operadoras de Turismo) Magda Nassar, a sustentabilidade é uma forma de atrair e fidelizar o cliente.

"Mesmo que a princípio essa não seja uma preocupação daquele consumidor, ele se encanta quando há esse diferencial. Hoje, além do pacote, é preciso oferecer uma experiência criativa", afirma.

Segundo dados do Ministério do Turismo, mais da metade dos viajantes estrangeiros visita o Brasil para lazer.

Destes, cerca de 15% escolhem destinos famosos pelas belezas naturais.

Agências pequenas ganham quando buscam parcerias que sejam positivas para o ecossistema dos destinos e suas populações, diz a presidente do Booking.com Gillian Tans, durante evento do programa de aceleração Booking Booster, da Booking.com, em Amsterdã (Holanda), no ano passado.

"Essas organizações trazem conhecimento, que mobiliza e gera empregos nesses locais", diz. "É uma combinação muito poderosa."

O ex-caçador Gentil, que se tornou guia turístico da empresa colombiana Awake Travel, durante expedição na floresta em Chocó, na Colômbia
O ex-caçador Gentil, que se tornou guia turístico da empresa colombiana Awake Travel, durante expedição em Chocó, na Colômbia - Divulgação

Beneficiar a população do Vale do Jequitinhonha (MG) foi o que motivou a criação da operadora Vivejar, que surgiu após um projeto experimental que levava viajantes de cidades como São Paulo e Rio para a região.

A ideia, desenvolvida pela consultoria Raízes Desenvolvimento Sustentável, ganhou vida própria em 2016.

O investimento para abrir as portas foi de R$ 80 mil.

Além dos pacotes para Minas Gerais, há viagens para localidades no Pará e no Amazonas e tours de um dia no Grajaú e na Ilha do Bororé, em São Paulo, e no Morro da Babilônia, no Rio.

"Para fazer diferença nesses locais, é preciso trabalhar junto, construindo uma relação de confiança de longo prazo", diz a turismóloga Mariana Madureira, da Raízes.

Sai na frente quem não tenta fazer caridade, mas "profissionaliza e aumenta a competitividade dessas pessoas e de suas cidades", avalia Miguel Uribe, da colombiana Awake Travel, que participou do programa Booking Booster e recebeu um aporte de 300 mil euros (R$ 1,2 milhão).

A plataforma conecta viajantes com anfitriões locais.

Temos guias que eram caçadores, guerrilheiros ou cultivavam coca e hoje se dedicam a criar os passeios pela floresta, afirma.

A empresa, aberta em 2015, dobrou de tamanho no último ano e opera em localidades como Caño Cristales e Chocó, na Colômbia.

Já a indiana Authenticook, que recebeu 200 mil euros (R$ 800 mil) após participar do Booking Booster, procura estimular o ingresso das mulheres no mercado de trabalho, segundo a cofundadora Priyanka Deshpande.

A empresa se especializou em oferecer refeições tradicionais em casas de família em locais como Nova Délhi, Mumbai e Pune, na Índia.

"O número de mulheres que trabalham está crescendo na Índia e essa é uma forma de encorajá-las", diz.

Os países podem ser distintos, mas há pontos que podem servir de aprendizado para empreendedores de qualquer lugar, segundo Gabrielle de Andrade, coordenadora de turismo responsável do Ministério do Turismo.

Para Andrade, buscar experiências do exterior é vital para que o setor avance no país. "Vale muito a pena observar o que está sendo feito fora e aprender com isso."

A jornalista viajou a convite da Booking.com

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