São Paulo

Apesar do crescimento da produção industrial no Brasil em 2017 registrado pelo IBGE, a expansão do setor perdeu força em janeiro com a desaceleração no volume de novos pedidos e da produção, indica a pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) divulgada nesta quinta-feira (1º).

O IHS  Markit, que realiza o levantamento, informou que o PMI da indústria brasileira enfraqueceu a 51,2 em janeiro, sobre 52,4 em dezembro, menor patamar desde setembro passado. Ainda assim, permaneceu acima da marca de 50 que separa crescimento de contração.

Como ponto positivo, os produtores do setor citaram a conquista de novos clientes, diversificação de produtos e condições melhores da demanda, mas ainda assim a taxa de expansão do volume de novos pedidos enfraqueceu em janeiro, atingindo o nível mais fraco em seis meses.

O aumento no volume de produção também perdeu força em janeiro e atingiu um recorde de baixa de três meses, em meio ao declínio dos novos pedidos para exportação.

Enquanto algumas empresas citaram ambiente desafiador de demanda externa, outras indicaram foco no mercado interno.

O cenário provocou aumento pouco expressivo no número de funcionários na indústria em janeiro, segundo o IHS  Markit, com algumas empresas adotando políticas de redução de custos.

O IBGE divulgou também nesta quinta que a produção industrial cresceu 2,5% em 2017, após três anos seguidos de queda. Foi também o melhor resultado desde 2010, que apresentou o recorde de 10,2% na série histórica que teve início 2002

PREÇOS

Em relação aos preços, a pesquisa PMI mostra que enquanto a taxa de inflação dos insumos diminuiu em janeiro, a dos valores cobrados chegou ao maior patamar em 11 meses.

Ainda assim, a alta dos preços dos insumos foi mais forte do que a dos cobrados, "sugerindo uma compressão adicional de lucro das empresas", apontou a pesquisa.

Apesar de o ritmo de crescimento da indústria ter perdido força no início do ano, os empresários do setor mantiveram projeções de crescimento otimistas, com expectativas de condições políticas e econômicas melhores e de um volume maior de vendas, mostrou ainda o levantamento.

CONFIANÇA

Apesar do otimismo, o ICI (Índice da Confiança da Indústria) da Fundação Getulio Vargas (FGV) aponta que a confiança da indústria brasileira ficou estável em janeiro, mostrando que o setor iniciou o ano com incerteza sobre a velocidade da recuperação econômica.

O ICI permaneceu em 99,4 pontos em janeiro, no nível mais alto desde janeiro de 2014 (99,6). O dado final da confiança não acompanhou o resultado da prévia, que tinha apontado melhora do sentimento no início do ano.

"Apesar da evolução favorável dos meses anteriores, o ainda elevado grau de incerteza econômica torna o setor inseguro quanto à velocidade de recuperação da economia nos próximos meses", explicou em nota a coordenadora da Sondagem da Indústria da FGV/IBRE, Tabi Thuler Santos.

Segundo a FGV, dos 19 segmentos pesquisados, 12 apresentaram alta.

Enquanto o índice da situação atual subiu 2,4 pontos e chegou a 100,9 pontos, o índice de expectativas caiu 2,4 pontos e foi a 98 pontos.

Já o nível de utilização da capacidade Instalada ficou estável em janeiro sobre o mês anterior, em 74,7%.

De acordo com a FGV, outros setores iniciaram o ano com a confiança em melhor situação, como as do consumidor e do comércio, que apresentaram altas.

Reuters
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