Política restringe ofertas da Embraer e Bombardier às chinesas

Mercado chinês tem oferta limitada de aeronaves de pequeno porte

Aeronave Embraer E-190, em feira de aviação em Cingapura
Aeronave Embraer E-190, em feira de aviação em Cingapura - Edgar Su/Reuters

A Embraer e a Bombardier estão de olho no mercado chinês com uma oferta limitada de aeronaves de pequeno porte para as companhias aéreas regionais, que estão autorizadas apenas a operar jatos com 100 assentos ou menos, de acordo com os executivos das fabricantes de aeronaves.

Uma política governamental destinada a impulsionar a oferta de voos domésticos nos mercados secundários da China exige que companhias aéreas operem pelo menos 25 jatos com 100 lugares ou menos antes de se credenciarem para aeronaves maiores, disseram os executivos.

A política da Administração da Aviação Civil da China (CAAC, na sigla em inglês), emitida em 2016, mas nunca publicada na sua totalidade, exclui o mais novo jato da Embraer E190-E2 e os jatos C Series da Bombardier. A CAAC não respondeu a um pedido de comentários nesta quarta-feira (7).

O presidente da unidade de aviação comercial da Embraer, John Slattery, disse que a política foi projetada para estimular a atividade econômica além da costa leste da China, fortemente povoada.

"Ao olhar para os termos detalhados do documento de política, o E175 é um avião ideal para ser compatível com a política e atender a esses requisitos", disse ele à Reuters no Singapore Airshow. O E175 tem cerca de 80 assentos.

O chefe de vendas da Bombardier Commercial Aircraft, Colin Bole, disse que vê as companhias aéreas regionais chinesas "se capacitando para os jatos C Series", mas o limite de 100 lugares pode atrasar a proliferação do avião no país.

"Definitivamente, vamos chegar ao ponto em que o C Series terá uma presença significativa na China", disse Bole. "Mas, devido a essa polarização nesta fase, haverá um atraso antes que isso realmente aconteça".

A Bombardier procura aumentar as vendas do jato turbo CRJ 900 de 90 lugares e do turbopropulsor Q400 que atendem os requisitos da política regional, disse Bole.

PREJUDICADA

O presidente-executivo da unidade de aviação comercial da Embraer, John Slattery, afirmou que a empresa foi a "parte prejudicada" na disputa comercial entre Boeing e Bombardier.

A comissão de Comércio dos Estados Unidos concedeu no mês passado uma inesperada vitória para a Bombardier sobre a Boeing, em uma decisão que permite à empresa canadense vender jatos para as empresas aéreas nos EUA sem pesados encargos.

A Embraer, concorrente mais direta da Bombardier no mercado de jatos menores de passageiros, apoia uma queixa separada do governo brasileiro contra o Canadá na OMC (Organização Mundial do Comércio), disse Slattery.

"Nós fomos a parte prejudicada", disse John Slattery à Reuters durante o Singapore Airshow. "Subsídios ilegais foram dados tanto pelo governo federal como pelo Estado de Quebec à Bombardier. Além disso, a Bombardier vendeu a aeronave no mercado norte-americano abaixo do custo."

Reuters
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