Estrangeiras anunciam US$ 200 mi em fábrica de chips no Brasil

Unidade será na área de Campinas (SP)

Placa da Qualcomm em San diego, Califórnia, nos Estados Unidos
Placa da Qualcomm em San diego, Califórnia, nos Estados Unidos - Mike Blake/Reuters
Taís Hirata
São Paulo

A Qualcomm e a USI, subsidiária da coreana ASE, anunciaram uma joint venture para construir uma fábrica de chips no Brasil voltada para dispositivos de internet das coisas. A previsão é investir US$ 200 milhões (R$ 647 milhões) nos próximos cinco anos.

Para realizar o projeto, as empresas receberão incentivos fiscais tanto do governo federal quanto do Estado de São Paulo, que será sede da nova fábrica.

A parceria foi assinada nesta segunda (5), no Palácio dos Bandeirantes, com a presença do ministro de Ciências e Tecnologia, Gilberto Kassab, e do governador de São Paulo e provável candidato à presidência Geraldo Alckmin (PSDB). O projeto terá benefícios fiscais tanto do governo federal quanto do paulista.

O apoio do BNDES ao projeto chegou a ser anunciado, no ano passado, mas ainda não foi confirmado.

O produto que será fabricado, ainda novo no mundo, condensa em um chip a tecnologia que hoje requer uma placa com 400 componentes para rodar.

O objetivo da parceria é desenvolver um chip, inédito no mercado global, capaz de rodar a mesma tecnologia que hoje demanda uma placa com 400 componentes para operar, diz o presidente global da Qualcomm, Cristiano Amon.

"Uma vantagem é simplificar o processo de desenho e fabricação dos aparelhos, que podem ser mais finos ou dar mais espaço para a bateria, por exemplo. Além disso, reduz o tempo para levar o produto à comercialização, por ser ser menos complexo."

A ideia é que, futuramente, a unidade possa atender o mercado externo, disse o presidente da empresa na América Latina, Rafael Steinhauser. Pegamos uma tecnologia que não existe no mundo, em vez de copiar algo da Ásia. O Brasil pode ser um polo de exportação de tecnologia.

Em uma perspectiva otimista, a produção deve começar em 2020, segundo o presidente global da USI, CY Wei.

A fábrica, porém, não tem local definido --só se sabe que será na região de Campinas (SP).

O treinamento da mão de obra será outro entrave, devido à escassez de trabalhadores especializados, segundo Amon. A ideia é levar parte dos engenheiros brasileiros para um treinamento em fábricas estrangeiras, além de trazer técnicos de fora.

A previsão é que a fábrica empregue entre 800 e 1.000 profissionais.

As empresas também preveem a construção de um centro de tecnologia em parceria com alguma universidade, ainda não definida, que futuramente poderá apoiar prefeituras a implementar soluções de internet das coisas nas cidades.

BENEFÍCIOS FISCAIS

As mudanças que o governo estuda fazer na Lei de Informática política incentivo fiscal à indústria considerada ilegal pela Organização Mundial do Comércio em 2017 não deverão afetar o andamento do projeto, que contará com isenções previstas na lei, afirma Steinhauser.

"Não acredito que vai acabar a Lei da Informática, o que a OMC pediu foi uma adaptação. O que nos atinge, acredito que não vai mudar", disse o executivo.

PROPOSTA

A fabricante de chips Broadcom elevou nesta segunda-feira em 24% sua oferta para comprar a Qualcomm, para mais de US$ 121 bilhões (R$ 391,4 bilhões), colocando mais pressão sobre a sua rival para iniciar as negociações.

A nova oferta valoriza a empresa em US$ 82 por ação —um prêmio de 24% em relação ao fechamento da Qualcomm na sexta-feira.

A Qualcomm em novembro rejeitou a oferta de US$ 70 por ação da Broadcom, em dinheiro e ações, que avaliou a empresa em US$ 103 bilhões.

O presidente global da empresa, Cristiano Amon, não quis comentar a oferta. 

"É um processo público. Nosso conselho de administração soltou uma nota afirmando que recebeu a oferta e que vai analisar. A decisão é do conselho, não tenho mais o que dizer."

Erramos: o texto foi alterado
Diferentemente do informado em versão anterior deste texto, a USI não é coreana e sim taiwanesa. 

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