Argentina está na dianteira em disputa por vaga na OCDE

Presidente de país vizinho diz ter aval de colegas da França e Alemanha 

Da esq. para a dir., o presidente da Argentina, Mauricio Macri, a primeira-dama dos EUA, Melania Trump, o presidente dos EUA, Donald Trump, e a primeira-dama argentina, Juliana Awada, durante encontro na Casa Branca
Da esq. para a dir., o presidente da Argentina, Mauricio Macri, a primeira-dama dos EUA, Melania Trump, o presidente dos EUA, Donald Trump, e a primeira-dama argentina, Juliana Awada, durante encontro na Casa Branca - Yin Bogu/Xinhua
Patrícia Campos Mello
São Paulo

A Argentina disputa com o Brasil o trunfo de ser o próximo país a ser admitido na OCDE, e as credenciais reformistas que isso traria. Para isso, conta com o apoio dos Estados Unidos, a quem tem cortejado com colaboração em diversas áreas, entre elas votações na ONU e medidas antiterrorismo.

Em entrevista ao jornal argentino Clarín em 27 de janeiro deste ano, o presidente Mauricio Macri afirmou que o presidente francês, Emmanuel Macron, e a chanceler alemã, Angela Merkel, haviam reafirmado o apoio ao ingresso da Argentina à OCDE. 

“Somos o número um para ingressar e este será um passo muito importante de confirmação e compromisso com as boas práticas que iríamos adotar e as que já começamos a implementar”, disse Macri após se reunir com Macron em Paris.

Nesta quarta-feira (28), em Brasília, o secretário-geral da OCDE, Angel Gurría, afirmou que o Brasil é o mais bem posicionado entre os seis países que aguardam o sinal verde para iniciar o processo de entrada —Argentina, Peru, Romênia, Croácia e Bulgária.

Outros três países já estão em processo de adesão —Colômbia, Costa Rica e Lituânia.

Em sua visita aos EUA, em abril, Macri recebeu do presidente Donald Trump garantia de apoio ao pleito à OCDE. O vice-presidente americano Mike Pence reforçou a promessa.

“Compartilhamos a visão de que a entrada na OCDE vai ajudar a consolidar as reformas na Argentina e, em nome do presidente, quero reiterar que os EUA apoiam fortemente a entrada da Argentina na OCDE”, disse Pence. 

O secretário de Estado, Rex Tillerson, em visita à Argentina em fevereiro deste ano, foi na mesma linha. 
Tillerson não incluiu o Brasil em sua visita à América Latina. O governo americano negou vários pedidos do governo brasileiro de encontros presidenciais. A visão de que o governo Temer carece de 
legitimidade é um obstáculo. 

Macri tem correspondido ao apoio americano. A Argentina se absteve na votação da ONU que condenou a decisão de Trump de declarar Jerusalém como capital de Israel. A votação teve apoio de 128 países.

Trata-se de uma marcante mudança levando-se em conta que em outra votação importante —de admitir a Palestina como Estado observador na ONU, em 2012— a Argentina votou contra Israel.

Com as negociações do acordo entre UE-Mercosul emperradas há mais de 10 anos, o início do processo de ingresso na OCDE seria uma conquista para os governos, que buscam reforçar seus distintivos de ortodoxia econômica. De qualquer maneira, é um processo que deve levar cerca de três anos. 

O Brasil tem a vantagem de ser o não membro que participa mais ativamente dos comitês da OCDE e já ter um razoável grau de convergência das normas.

Mas a expectativa é de que a Argentina esteja em primeiro lugar na fila, ao lado de um país europeu, apesar das declarações de Gurría. O governo americano tem criticado Gurría nos bastidores.

 
 
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