De saída, ministro de Energia diz que privatização da Eletrobras vai a Câmara em abril

Analistas do setor elétrico afirmam que sucessão de Coelho Filho deve atrapalhar projetos

Taís Hirata
São Paulo

Em tom de despedida, o ministro Fernando Coelho Filho (MDB-PE) afirmou estar certo de que a privatização da Eletrobras e a reforma do setor elétrico serão realizadas mesmo com sua saída.

A sucessão do ministro, que deixará o cargo no dia 5 de abril para retornar ao Congresso e disputar a eleição, tem gerado descrença entre analistas do setor, que avaliam que o avanço da privatização terá ainda mais dificuldade sob o novo comando.

Nas especulações de representantes do setor, afirma-se que o cargo poderá ser ocupado por indicados dos emedebistas Edison Lobão e Eduardo Braga, ex-ministros de Minas e Energia durante o governo Dilma.

O ministro não quis falar sobre os possíveis nomes e disse apenas que o importante é a continuidade de pautas como a Eletrobras, a reforma do setor elétrico, a discussão de cessão onerosa com a Petrobras, o Renovabio e as mudanças no setor de mineração.

“Estive com o Rodrigo Maia [presidente da Câmara] na quarta e reforçamos o calendário de votar [a privatização da Eletrobras] em abril para ter maio todo no Senado”, disse nesta sexta (23), em evento em São Paulo.

O ministro também afirmou que a comissão especial para votar o projeto de lei da reforma do setor elétrico deverá ser criada na semana que vem.

"Tive a oportunidade de criar propostas no Executivo e vou ter a chance de votá-las no Legislativo."

Em relação à afirmação do presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), que condicionou a aprovação da privatização a uma determinação de que os recursos obtidos com a venda da estatal sejam direcionados às áreas de segurança pública e recursos hídricos, o ministro disse que o Congresso tem autonomia para qualquer alteração no texto.

APAGÃO

Em relação ao apagão provocado por uma falha na linha de transmissão da usina de Belo Monte, no Pará, que interrompeu o fornecimento de energia em todos os estados do Nordeste, além de Amazonas, Pará, Tocantins e Amapá na quarta (21), o ministro negou que há fragilidade no sistema elétrico.

Ele voltou a afirmar que as causas mais precisas para a falha deverão sair de uma investigação que deverá demorar cerca de dez dias e ressaltou os investimentos e, linhas de transmissão.

“Desde a nossa chegada, fomos a outro patamar de sucesso dos leilões e esperamos que as obras possam ficar prontas até antes do prazo”, disse. 

Coelho Filho ainda afirmou que há leilões de transmissão previstos para junho e para o fim deste ano.

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