Fatia da Infraero em Guarulhos, Brasília e Confins atrai sócios

Quem assumiu a dianteira nas consultas foi o fundo Mubadala, de Abu Dhabi

Pessoas andam pelo terminal do aeroporto de Guarulhos, na Grande São Paulo
Terminal 3 do aeroporto de Guarulhos - Folhapress
Joana Cunha
São Paulo

O governo começou a receber investidores interessados em comprar a fatia de 49% que a Infraero tem nos aeroportos de Guarulhos, Brasília e Confins, concedidos no governo Dilma Rousseff.

Para Guarulhos, quem assumiu a dianteira nas consultas foi o fundo Mubadala, de Abu Dhabi, que no ano passado assinou contrato de exclusividade para negociar fusões e aquisições na Invepar.

Membro da concessionária GRU Airport -- que administra o aeroporto de Guarulhos com a sul-africana ACSA--, a Invepar entrou na mira do Mubadala devido à fragilidade financeira causada pelo endividamento que tomou para vencer leilões, pela crise e pelo envolvimento da antiga sócia OAS na Lava Jato.

Procurada, a Invepar não quis se manifestar.

Em Brasília, o governo foi consultado pelos argentinos da Corporación América, sócios da Inframérica, que já administra o aeroporto, consolidando o padrão de que o interesse ainda está restrito aos atuais sócios privados ou empresas ligadas a eles.

Em Confins, não seria propriamente a CCR ou a Zürich, atuais sócias da concessionária BH Airport, mas um operador europeu que já atua com eles em outros empreendimentos. Inframérica e BH Airport não comentaram.

Sem revelar nomes dos interessados, a Secretaria de Aviação Civil confirma que há negociações e diz que já tem "termo de referência para contratação no BNDES, cronograma de modelagem e avaliação dos ativos".

A expectativa é que as operações ocorram ainda neste ano. Na previsão mais otimista será possível arrecadar até R$ 5 bilhões com a venda da participação da Infraero nos três aeroportos. Cálculos mais conservadores estimam menos de R$ 3 bilhões.

Racha

A diferença nos números alimenta um racha no governo. Há uma frente favorável à venda, liderada por Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência), Maurício Quintella (Transportes) e Henrique Meirelles (Fazenda).

Do outro lado, está o secretário de empresas estatais do Planejamento, Fernando Soares, oposto ao negócio e com diálogo estreito com o ministro Dyogo Oliveira. A assessoria do ministério nega que o secretário tenha posição contrária à privatização.

"Entende-se que há desafios societários e de acordo de acionistas a serem resolvidos", diz o órgão em nota.

Um dos argumentos contra é o de que há risco de tais vendas não conseguirem repor os cerca de R$ 2 bilhões já aportados pelo Fundo Nacional de Aviação Civil desde o início das concessões.

Quem concorda com a venda, porém, considera que ela é importante para estancar a sangria, ou seja, cessar a necessidade de aportes decorrentes da participação dos 49% da estatal. Isso liberaria recursos para serem investidos em aeroportos regionais administrados pela Infraero.

A venda da fatia da estatal, aprovada pelo PPI (Programa de Parcerias de Investimentos) em 2017, também teve oposição do presidente da Infraero, Antônio Claret, que até há poucas semanas defendia postergar o negócio. Em nota, a Infraero diz que segue diretrizes do Ministério dos Transportes.

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