Descrição de chapéu petrobras

Governo discute com a Petrobras nova política de preços, diz Meirelles

Ele descartou, porém, qualquer iniciativa no sentido de um controle artificial de preços

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, durante evento em São Paulo
O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, durante evento em São Paulo - Rahel Patrasso/Xinhua
Nicola Pamplona
Rio de Janeiro

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse nesta terça-feira (6) que o governo discute com a Petrobras uma nova política de preços de maneira que um aumento no mercado internacional não venha a prejudicar o consumidor e, por outro lado, uma queda muito grande não faça o mesmo com a estatal.

A possibilidade de revisão da polícia, no entanto, foi rechaçada pela estatal, que disse em nota divulgada no início da tarde que a definição de preços é de sua exclusiva alçada.

Meirelles falou sobre o tema em entrevista à rádio CBN de Ribeirão Preto na manhã desta terça. "Tão logo tenhamos uma nova política de preços definida, nós vamos anunciar", afirmou o ministro.

Na entrevista, ele também avaliou que é necessário rever a questão da remuneração do produtor do álcool, mas ressalvou que o governo do presidente Michel Temer não faz controle artificial de preços, descartando qualquer investida nesse sentido.

"Este governo não faz controle artificial de preços. Isso aí não existe. Isso foi uma política malsucedida do governo anterior que quase quebrou a Petrobras e prejudicou o governo como um todo. Isso não será feito", completou.

A Petrobras disse ter sido consultada recentemente pelo governo sobre o comportamento dos preços no mercado internacional de petróleo, diante de preocupações com a volatilidade de preços para o consumidor.

"No entanto, conforme aliás declarado pelo Ministro da Fazenda, em nenhum momento se cogitou qualquer alteração nas regras aplicadas atualmente pela companhia, que são de sua exclusiva alçada", disse a estatal, em nota.

A companhia acrescentou que continuará ajustando os preços da gasolina e do diesel diariamente conforme as variações das cotações internacionais do petróleo. 

E sugeriu que medidas para a redução de volatilidade devem focar na carga tributária, principal componente do preço final dos combustíveis no país.

Em fevereiro, a estatal anunciou uma mudança no modelo de divulgação dos preços dos combustíveis, passando a publicar o valor em reais por litro, ao invés dos percentuais de variação.

O objetivo foi indicar ao consumidor qual sua parcela no preço final. Nesta terça, por exemplo, a estatal está cobrando R$ 1,58 pelo litro da gasolina e R$ 1,75 pelo litro do diesel.

Nesta quarta (7), ps preços serão elevados para R$ 1,59 (gasolina) e R$ 1,76 (diesel), informa a estatal em seu site.

Também em fevereiro, o governo anunciou uma ofensiva contra supostos cartéis que estariam segurando o repasse às bombas de cortes nos preços promovidos pela Petrobras.

O ministro afirmou que apesar de eventuais pressões inflacionárias, como a ligada ao gás de cozinha, o IPCA está baixo e deverá terminar este ano abaixo da meta do governo para a inflação, de 4,5%.

Depois de não ter descartado subsídio para gás de cozinha anteriormente neste ano, Meirelles disse nesta terça que a questão do gás também será analisada e divulgada quando houver alguma conclusão.

"É uma questão que envolve por exemplo impostos dos Estados que incidem sobre combustíveis, aí envolve todos os governadores. Envolve também toda essa questão das distribuidoras de gás."

POLÍTICA

Durante a entrevista, Meirelles defendeu a necessidade da continuidade de reformas econômicas para assegurar o crescimento do país e disse achar pouco provável que a população escolha nas eleições deste ano candidatos "que vão aplicar políticas que já fracassaram no Brasil".

"Se o país voltar a fazer políticas erradas vai entrar em recessão de novo", afirmou.

Sobre sua própria candidatura, o ministro voltou a dizer que anunciará sua decisão sobre a entrada ou não na corrida presidencial até o início de abril.


Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.