Livraria Saraiva renegocia prazo de pagamento com fornecedores

Com dificuldades, empresa diz querer reequilibrar fluxo de caixa

Unidade da Livraria Saraiva - Divlugação / Saraiva
Filipe Oliveira
S√£o Paulo

A Saraiva est√° chamando fornecedores para renegociar prazos de pagamento.

A rede de livrarias, que fechou 2017 com 103 lojas e tamb√©m tem forte atua√ß√£o na internet, viu sua receita cair 0,4% e teve preju√≠zo de R$ 33 milh√Ķes no ano passado.

Segundo um executivo do mercado editorial que falou à Folha sob condição de anonimato, a companhia justificou a iniciativa dizendo estar tendo dificuldades para equilibrar seu fluxo de caixa.

A informação sobre a negociação foi antecipada pelo jornal O Globo.

A opção negociada com as editoras é adiar os pagamentos que venceriam em março, abril e maio para que sejam feitos a partir de outubro, ainda segundo o executivo.

Cada editora deve ajustar prazos e eventuais compensa√ß√Ķes individualmente.

Procurada, a Saraiva n√£o se pronunciou sobre o assunto.

O adiamento dos pagamentos preocupa o setor, pois aqueles que vencem em mar√ßo concentram a receita de parte das vendas de Natal e da volta √†s aulas, per√≠odos de grande import√Ęncia para o mercado editorial.

No segundo semestre de 2016 e no início de 2017, a Livraria Cultura também chamou seus fornecedores para rever data de pagamentos.

A empresa afirmou na √©poca que sentiu impacto do aumento das vendas parceladas em at√© dez vezes no cart√£o de cr√©dito, como reflexo da crise econ√īmica brasileira.

O mercado editorial brasileiro cresceu 3,2% em 2017, revertendo queda de 9,2% no ano anterior. Os n√ļmeros, do Snel (sindicato Nacional dos Editores de Livros), s√£o corrigidos pela infla√ß√£o.

Em nota, o Snel disse que sua diretoria irá se reunir esta semana com a Saraiva para entender a situação financeira da empresa e colaborar com uma solução, levando em conta o impacto que a postergação dos pagamentos pode acarretar no mercado.

"Nosso objetivo √© que as partes possam chegar a um acordo vi√°vel, evitando preju√≠zos √† sa√ļde do mercado e aos leitores brasileiros", afirma o presidente do SNEL, Marcos da Veiga Pereira.

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