Antes de acordo com UE, montadoras brasileiras e argentinas precisam resolver gargalos, diz VW

Presidente da Volkswagen América do Sul, Pablo di Si, quer resolver problemas nos portos

Pablo di Si, presidente da Volkswagen América do Sul - Adriano Vizoni-14.dez.2017 / Folhapress
Tatiana Vaz
São Paulo

Os gargalos de logística e infraestrutura tanto do Brasil quanto da Argentina têm de ser resolvidos antes de um acordo com a União Europeia na opinião de Pablo Di Si, presidente da Volkswagen América do Sul.

“Temos de trabalhar para eliminar as ineficiências até 2030, pensar em longo prazo, mesmo com as incertezas dos dois países”, afirmou Di Si, em um seminário da AutoData desta tarde de segunda (23), sobre tendências do setor automotivo.

Entre as melhorias apontadas por ele está o aumento de frequência dos navios entre o Porto de Zarate, principal da Argentina, com os portos brasileiros de Santos (SP) e Paranaguá (PR).

As diferenças de impostos, burocracia de certificações e de regras de produção automotiva também foram apontados como entraves.

“Não adianta querer jogar contra o Barcelona [time espanhol de futebol] estando na quarta divisão do futebol brasileiro”, afirmou.

Di Si afirma ter visitado o porto argentino por duas semanas, no início de 2017, para conhecer os detalhes das operações e entender os problemas. Segundo ele, da produção do carro até o destino final, o tempo de permanência dos carros em Zarate é de mais de vinte dias.

“O carro chega no porto, desce e espera a vistoria do perito que, quando chove, nem aparece”, disse. “No México, em que a perícia é agendada por email, o fluxo leva de dois a três dias, temos de aprender como fazer”.

Em maio, o executivo pretende passar outras duas semanas nos portos brasileiros com a finalidade de conhecer os detalhes dos processos.

Outro ponto, aponta Di Si, é a forma como as montadoras precisam começar a pensar em como deter e garantir a segurança do conhecimento que elas possuem do mercado local.

“Se o conhecimento for passado para Alemanha e a produção ficar com a China, por exemplo, faremos só as placas”, disse.

Mais cedo, o presidente da GM no Mercosul, Carlos Zarlenga,  disse que sem uma definição clara sobre a política industrial no Brasil para os próximos anos e a aprovação de regras futuras para o comércio de veículos no Mercosul "a indústria está investindo às cegas".

AUMENTO GRADATIVO

Sobre o acordo comercial entre o Brasil e a Argentina, Di Si acredita que os mercados devem negociar, em breve, o aumento gradativo da regra vigente atualmente.

O regime especial de vendas de veículos e peças entre os países, também chamado de flex, prevê que para cada US$ 1,5 que o Brasil exporta à Argentina em autopeças e carros, sem incidência de impostos, U$ 1 deve ser importado em produtos argentinos.

Porém, o objetivo do acordo, de manter o equilíbrio entre os países, não está sendo cumprido. “Motivo pelo qual a regra deveria chegar, aos poucos, a US$ 2”, afirma Di Si.

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.