Bolsa acompanha piora no exterior por tuíte de Trump sobre petróleo e cai

BRF subiu pelo 3º dia ainda sob efeito da indicação de Parente a conselho; dólar avançou a R$ 3,41

Presidente americano, Donald Trump, afirmou que não vai aceitar preço alto para o petróleo
Presidente americano, Donald Trump, afirmou que não vai aceitar preço alto para o petróleo - AFP
Danielle Brant
São Paulo

A Bolsa brasileira fechou em baixa nesta sexta-feira (20), acompanhando o mau humor no exterior provocado por tuítes do presidente americano, Donald  Trump, sobre o preço elevado do petróleo. O dólar também seguiu a tendência de valorização externa e subiu para R$ 3,41.

O Ibovespa, índice das ações mais negociadas, recuou 0,32%, para 85.550 pontos. Na semana, a Bolsa teve alta de 1,44%. O volume financeiro foi de R$ 8,7 bilhões —em abril,  o giro médio está em R$ 10,7 bilhões.

O dólar comercial fechou em alta de 0,61%, para R$ 3,413. Mas na semana registrou queda de 0,41%. O dólar à vista, que encerra os negócios mais cedo, subiu 0,16%, para R$ 3,409 —na semana, teve leve queda de 0,01%.

Trump voltou a impactar o mercado nesta sessão, depois de criticar, em sua conta no Twitter, o preço elevado da cotação do petróleo. Na rede social, o presidente americano criticou a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) nesta sexta-feira por causa dos cortes de produção que ajudaram a elevar os preços da commodity.

"Parece que a Opep está fazendo isso de novo. Com volumes recorde de petróleo por todo lugar, incluindo navios totalmente carregados no mar. Os preços do petróleo estão artificialmente muito altos! Não é bom e não será aceito!", escreveu.

Ele afirmou ainda que a ação não será tolerada. Como resposta, os preços do petróleo, que subiam, passaram a cair e fecharam em baixa. 

Em junho, a Opep se reúne em Viena para decidir se dará continuidade aos cortes de produção, que vigoram desde janeiro de 2017 em estratégia usada para elevar os preços da commodity.

"O mercado está encontrando um jeito de lidar com o Trump. Ele é uma pessoa impulsiva, e escreve no twitter como se fosse um torpedo", diz Raphael Figueredo, sócio-analista da Eleven Financial.

"Ele vai escrever o que quiser e a gente vai ter que se posicionar e se preocupar com isso de alguma maneira. É uma readequação do modelo de negócios de risco ao perfil dele."

Preocupação com o aumento de juros nos Estados Unidos também estiveram no radar dos investidores, após o rendimento dos títulos públicos com vencimento em dez anos saltar para 2,96% ao ano. 

A diretora do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos)Lael  Brainard disse nesta sexta que a economia dos EUA parece capaz de aguentar aumentos adicionais dos juros no futuro próximo.

"Minha expectativa é que a perspectiva é de crescimento contínuo e sólido", disse ela em uma entrevista com a CNBC. "A perspectiva parece consistente para mim com aumentos graduais contínuos na taxa de juros."

No noticiário doméstico, os investidores analisaram a prévia da inflação e dados de emprego. O IPCA-15 acelerou um pouco menos do que o esperado e atingiu o menor nível para o mês de abril em 12 anos. O índice avançou 0,21%, ante alta de 0,1% em março, segundo o IBGE.

Em relação ao emprego, em março foram criados 56,1 mil novos postos de trabalho com carteira assinada, abaixo do saldo positivo registrado em janeiro (82,8 mil) e fevereiro (65 mil). O comércio fechou 5,8 mil postos de trabalho com carteira.

"O destaque da semana foi na quarta-feira, no vencimento de opções sobre índice, quando o estrangeiro voltou a comprar Brasil, com entrada de R$ 1 bilhão. No mês, está positivo em 2,67 bilhões", diz Figueredo. "É uma entrada considerável, dada toda a dúvida que tínhamos por aí. Estamos com a porta aberta para evoluir, seguindo uma boa tendência de alta", complementa.

AÇÕES

Os papéis da Hypera (ex-Hypermarcas) lideraram as perdas do Ibovespa, com recuo de 6,41%. A queda ocorreu após reportagem do jornal O Estado de S. Paulo informar que a Polícia Federal investiga se um ex-diretor da empresa omitiu informações em acordo de delação premiada para proteger o maior acionista e presidente da companhia.

Em nota, a Hypera diz que a ação cautelar tramita sob segredo de justiça. "A Companhia reitera que, desde que tomou conhecimento dos fatos narrados pelo ex-executivo em 2016, tem adotado as providências cabíveis e que continuará colaborando com as autoridades", informou a empresa.

As ações da Eletrobras tiveram desvalorização de 4%, depois que decreto que autoriza o início dos estudos técnicos para a venda da estatal determinar que eles só poderão começar após a aprovação do projeto de lei que autoriza a desestatização. 

O projeto tramita lentamente e sofre forte resistência política, dentro e fora do Congresso. Por causa disso, as ações preferenciais da Eletrobras recuaram 4,24%, e as ordinárias se desvalorizaram 4,14%.

Na ponta positiva, as ações da BRF subiram pelo terceiro dia, ainda sob efeito da indicação de Pedro Parente, presidente da Petrobras, para comandar o conselho de administração da empresa.

Os papéis se valorizaram 4,96%, para R$ 25,37. Desde que a notícia foi divulgada, a empresa ganhou R$ 3,5 bilhões em valor de mercado.

"Acho a notícia mais positiva para a Petrobras do que para a BRF. Se o Parente vai disponibilizar tempo para a BRF quer dizer que a Petrobras está nos trilhos e que o projeto que ele definiu para a estatal está surtindo efeito, o que, para mim, é bastante positivo", diz Figueredo, da Eleven. 

As ações da Petrobras fecharam em alta nesta sessão, apesar da queda do petróleo. Os papéis preferenciais subiram 0,72%, para R$ 22,36. As ações ordinários tiveram alta de 0,25%, para R$ 24,43.

A mineradora Vale recuou 0,42%, para R$ 47,63.

No setor financeiro, o Itaú Unibanco caiu 0,22%. As ações preferenciais do Bradesco tiveram queda de 1,41%, e as ordinárias caíram 1,17%. O Banco do Brasil teve desvalorização de 1,1%, e as units —conjunto de ações— do Santander Brasil recuaram 1,12%.

CÂMBIO

O dólar ganhou força ante 30 das 31 principais moedas do mundo. 

"A semana foi de forte volatilidade, por incertezas com o ritmo de aumento de juros nos Estados Unidos e pela indefinição eleitoral", diz Tarcísio Joaquim, diretor de câmbio do Banco Paulista.

"Há dúvidas também sobre o crescimento da economia. Entrou num marasmo com a aproximação da eleição e a saída do [ex-ministro Henrique] Meirelles da área econômica. Em meio a essa indefinição eleitoral, estamos numa baita volatilidade porque você não sabe quem é, qual a ideia de governo, o que vai fazer, o que não vai fazer", avalia.

Segundo Joaquim, há o agravante de os nomes que despontam na liderança —a ex-senadora Marina Silva (Rede), Jair Bolsonaro (PSL) e Joaquim Barbosa (PSB)— não serem identificados com o mercado financeiro. 

O Banco Central vendeu o lote de 3.400 contratos de swaps cambiais tradicionais (equivalentes à venda de dólares no mercado futuro). Até agora, já rolou US$ 1,7 bilhão dos US$ 2,565 bilhões que vencem em maio.

O CDS (credit default swap, espécie de termômetro de risco-país) teve alta de 1,63%, para 169,4 pontos. 

No mercado de juros futuros, os contratos mais negociados caíram. O DI para julho deste ano caiu de 6,257% para 6,252%, e o DI para janeiro de 2019 teve baixa de 6,240% para 6,210%.

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