China vai abrir mercado automotivo em meio a tensões comerciais com os EUA

Pequim vai começar removendo limites de propriedade estrangeira para veículos elétricos e híbridos

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Salão do Automóvel de Pequim - Kim Kyung-Hoon-26.abr.2016 / Reuters
Pequim e Xangai | Reuters

 A China vai retirar um limite sobre a propriedade estrangeira em empreendimentos automotivos até 2022, em uma grande mudança de política para abrir o maior mercado de automóveis do mundo, mesmo em meio a tensões comerciais entre Washington e Pequim.

Em um movimento bem-vindo pela indústria automobilística alemã, a estatal de planejamento chinesa anunciou na terça-feira (17) que removerá os limites de propriedade estrangeira para empresas que fabricam veículos totalmente elétricos e híbridos em 2018, para fabricantes de veículos comerciais em 2020 e para o mercado de automóveis mais amplo em 2022.

A China impôs restrições de propriedade em 1994, limitando a não mais de 50% a participação de montadoras estrangeiras em qualquer empreendimento local. Forçar as montadoras estrangeiras a trabalhar com empresas chinesas foi projetado para ajudar as montadoras nacionais a competir.

O mais recente movimento político marca uma nova reviravolta em uma semana para o comércio chinês. O país impôs uma taxa temporária sobre o sorgo importado dos Estados Unidos, após Washington proibir empresas norte-americanas de vender peças a fabricante de telefones chinesa ZTE Corp na segunda-feira.

A alemã BMW, que tem uma grande participação nas relações comerciais entre Pequim e Washington como o maior exportador de veículos dos Estados Unidos para a China, saudou a decisão sobre automóveis.

"Acreditamos que um ambiente de negócios mais livre e flexível beneficiará as empresas chinesas e estrangeiras na China e a economia chinesa. A BMW continuará a buscar benefícios mútuos e soluções ganha-ganha com os parceiros locais", disse a montadora.

A BMW acrescentou que continua comprometida em expandir uma joint venture com o BBA daChina e ainda está discutindo como estruturar uma nova parceria da sua marca Mini com a Great Wall Motors da China.

Analistas disseram que os principais beneficiários, pelo menos no curto prazo, seriam as montadoras focadas em veículos de energia nova, incluindo a fabricante norte-americana de carros elétricos Tesla, que tem procurado montar sua própria fábrica em Xangai.

O presidente da Tesla, Elon Musk, disse no mês passado que as rígidas regras automobilísticas chinesas para as empresas estrangeiras criavam um cenário desigual, com dezenas de empresas locais e internacionais competindo por uma fatia do crescente mercado chinês de carros "verdes".

A Tesla se recusou a comentar.

As montadoras tradicionais terão de esperar mais tempo por qualquer impacto direto e poderão enfrentar mais riscos do que oportunidades ao abandonar suas estruturas de joint venture, disse James Chao, diretor para Ásia-Pacífico da consultoria IHS Markit.

A China também eliminará os limites de propriedade estrangeira nas indústrias de construção naval e de aeronaves em 2018, segundo a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (CNDR).

Airbus e Boeing não responderam imediatamente aos pedidos de comentários.

O movimento altamente simbólico no mercado automotivo ocorre após o presidente chinês, Xi Jinping, dizer na semana passada que a China acabaria com os limites de propriedade "o mais rápido possível".

A China, que disse que a flexibilização das regras para automóveis não tem relação com a disputa comercial com os Estados Unidos, está disposta a se mostrar aberta aos negócios. Seus laços com a maior economia do mundo, no entanto, estão se tornando cada vez mais difíceis.

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