Reuters

Economistas de instituições financeiras passaram a ver a Selic mais baixa ao final deste ano na sequência de indicações do Banco Central de nova redução, resultado de projeções mais fracas para a inflação.

A pesquisa Focus do BC divulgada nesta segunda-feira (2) mostrou que a expectativa para a Selic ao final deste ano agora é de 6,25%, contra os 6,5% anteriores. 

Para 2019, a projeção continua sendo de 8%.

O Copom (Comitê de Política Monetária) cortou a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual e a levou à nova mínima histórica de 6,5%, indicando na ata que deve reduzir os juros básicos mais uma vez em maio antes de encerrar o ciclo de flexibilização.

O Top-5, grupo dos que mais acertam as previsões, já havia passado a ver a Selic a 6,25% no final de 2018 e manteve essa expectativa nesta semana, assim como a visão de que a Selic ficará em 8% em 2019.

O cenário de inflação persistentemente fraca se mantém para os especialistas consultados, com as projeções para a alta do IPCA sendo reduzidas a 3,54% e 4,08% respectivamente em 2018 e 2019, de 3,57% e 4,10%.

Em relação ao PIB (Produto Interno Bruto), a estimativa de crescimento deste ano caiu a 2,84% de 2,89%, permanecendo em 3% para 2019. 

POLÍTICA MONETÁRIA

O presidente do BC, Ilan Goldfajn reafirmou nesta segunda que o BC deve cortar os juros novamente na próxima reunião do Copom de maio, e que vê como adequada uma interrupção do ciclo de afrouxamento após essa investida.

"O Comitê vê como apropriada uma flexibilização monetária moderada adicional (para próxima reunião) e julga que isso mitiga o risco de postergação da convergência da inflação às metas", disse Ilan, em evento no Rio de Janeiro.

Para reuniões além da próxima, "o Comitê vê como adequada a interrupção do processo de flexibilização monetária, visando avaliar os próximos passos", acrescentou.

Durante sua fala, Ilan reforçou que a política monetária tem que balancear duas dimensões, agindo de um lado para assegurar que a inflação convirja para a meta numa velocidade adequada e, de outro, garantindo que a conquista da inflação baixa perdure, mesmo diante de choques adversos.

O prosseguimento do ciclo de distensão monetária tem como pano de fundo quadro de inflação persistentemente baixa. O IPCA-15, prévia da inflação oficial, acumulou alta de apenas 2,8% nos 12 meses até março, firmemente abaixo do piso da meta de 4,5% pelo IPCA, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Ilan afirmou que a inflação baixa segue em direção às metas. E avaliou novamente que o conjunto dos indicadores de atividade econômica mostra "recuperação consistente" da economia, apesar de ainda gradual.

Sobre a agenda institucional BC+, Ilan apontou que a autoridade monetária seguia trabalhando para redução do custo de crédito e em medidas de estímulo à concorrência.

A respeito do projeto de autonomia do BC, que está na agenda de medidas econômicas prioritárias do governo para 2018, mas ainda não começou a tramitar formalmente no Congresso Nacional, Ilan disse ser provável que os parlamentares votem um texto antes das eleições.

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