Porto de Santos concentra apenas 6,6% de exportações de boi vivo

Líder de embarque de gado em pé é Barcarena (PA); Turquia é maior importador

Imagem do navio Nada, no qual embarcaram 26 mil bois em fevereiro, no Porto de Santos - Leonardo Benassatto/Frame Photo
Anaïs Fernandes Natália Portinari
São Paulo

​O Porto de Santos, em São Paulo, é por onde passaram apenas 6,6% dos bois vivos exportados no país em 2017, uma prática recente de comércio voltada a países muçulmanos.

Foi feito um único embarque desse tipo neste ano, e outro no ano passado. Antes disso, o porto não recebia carregamentos assim há duas décadas. 

Já em Barcarena, no Pará, foram carregados 267 mil bois vivos em navios em 2017, o que representa 65,7% do total do país. Em segundo lugar está o Porto de Rio Grande (RS), e em terceiro, São Sebastião (SP).

Nesta quarta-feira (25), o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu uma decisão liminar (provisória) contra a lei municipal que proíbe o embarque de cargas vivas no Porto de Santos, argumentando que não cabe ao município legislar sobre exportações.

A lei veio após uma disputa judicial em fevereiro, quando ativistas tentaram barrar a embarcação de 26,8 mil animais no navio Nada, que partiu de Santos rumo à Turquia.

O país é o maior importador de bois em pé —é para lá que foram 52% dos animais exportados em 2017. Depois, os principais destinos são Iraque (14%), Líbano (11%), Egito (10%) e Jordânia (9,9%). 

A lista concentra principalmente países onde há população muçulmana, que preferem o gado vivo para que o abate seja feito seguindo ritos religiosos. Paraguai, Senegal e Bolívia também importam bois brasileiros, mas em menor proporção.​

O gado em pé não representa uma parcela importante dos produtos bovinos que o Brasil manda para o exterior. No ano passado, foram US$ 6,2 bilhões arrecadados com exportações de carne in natura, miúdos, processados e tripas, e apenas US$ 272 milhões com gado vivo.

Além disso, a prática é relativamente recente. Antes de 2004, o volume de bois vivos que embarcavam para fora do país era pequeno e inconstante.

Na série histórica desde 1997 registrada pelo Mdic (Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), o ano em que houve mais exportações antes de 2004 foi 1999, quando embarcaram 7,4 mil cabeças de boi. Em 2000, foram apenas 279 animais. Os valores começaram a aumentar de 2005 em diante.

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