Presidente da BRF renuncia ao cargo

José Drummond sai, e desmonte da era Abilio Diniz no comando da BRF continua

Unidade da BRF em Lucas do Rio Verde (MT) - Nacho Doce-18.abr.2018 / Reuters
Igor Gielow
São Paulo

O desmonte da era Abilio Diniz à frente da BRF, dona das marcas Sadia e Perdigão, continuou nesta segunda-feira (23) com a saída do presidente-executivo da empresa.

José Drummond havia assumido a empresa em dezembro, com apoio encarniçado de Abilio em sua disputa pelo controle dos rumos da BRF com outros acionistas, notadamente os fundos de pensão que detêm 22% de seu controle.

Abilio deixará a presidência do Conselho de Administração da empresa, cargo que ocupa desde 2013.

Na próxima quinta-feira (26), assembleia geral de acionistas votará a nova composição do colegiado, que terá o presidente da Petrobras, Pedro Parente , à sua frente.

Existe uma lista de nomes sugeridos aos acionistas, mas a votação será cargo a cargo devido a um pedido do fundo britânico Aberdeen de forma orquestrada com os fundos Petros (da Petrobras) e Previ (do Banco do Brasil).

A relação contém apenas uma representante de Abilio, dono de quase 4% das ações da BRF, Flávia Almeida (da holding Península). A maioria dos novos indicados é ligada ou tem aval dos fundos, a começar por Pedro Parente.

A permanência de Drummond em funções executivas opunha os fundos a Abilio e o Tarpon, que tem 7,26% da empresa. Sua saída foi discutida nesta segunda durante reunião do Conselho de Administração e comunicada ao mercado no fim da tarde.

Interinamente, ocupará a presidência-executiva da empresa o diretor financeiro e de relações com investidores, Lorival Nogueira Luz Jr. Ainda não há um nome definitivo sugerido, decisão esta que passará pelo novo conselho chefiado por Parente.

Drummond havia substituído Pedro Faria, executivo do fundo Tarpon. A proposta de Abilio de lhe dar um bônus de R$ 40 milhões foi o estopim do fim do acordo inicial para a saída do empresário do conselho, que lhe deixaria com três representantes no novo conselho.

Os fundos tinham pedido a remoção de Abilio no começo do ano, após a publicação do prejuízo recorde em 2017, de R$ 1,1 bilhão. Foi o ponto de ruptura de uma crise que se arrastava havia quase dois anos, com uma sucessão de más notícias para a empresa.

Em 2017, a empresa foi atingida pela Operação Carne Fraca, na qual a Polícia Federal apura suspeitas de irregularidades na produção de carnes no país.

Na semana passada, enquanto o acordo para indicar Parente para o lugar de Abilio era fechado, a União Europeia determinou o veto à importação de frangos de diversos frigoríficos da BRF, aprofundando os problemas da empresa.

Problemas de gestão e a entrada da BRF no noticiário policial, pela Carne Fraca e por agruras judiciais de ex-conselheiros e do braço direito de Abilio na empresa, derrubaram seu valor de mercado. Sua ação hoje está no nível de 2011, a R$ 25,3, depois de ter ultrapassado os R$ 70 em setembro de 2015.

Reuters

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