Startup francesa de 'carona aérea' conecta piloto e passageiro

Serviço junta pilotos de aviões leves a passageiros dispostos a viver aventura

Pessoas ao lado de avião
Foto de divulgação da startup Wingly, que conecta passageiro e piloto - Divulgação
Mario Camera
Paris

Imagine viajar de avião sem pagar passagem, mas apenas dividindo os custos reais do voo. Isso agora é possível graças a uma startup francesa.

A Wingly lançou um serviço de transporte aéreo com base em uma ideia simples e de baixo custo: juntar pilotos de aviões leves a passageiros dispostos a viver a aventura de entrar em um monomotor para uma viagem curta --seja para alcançar o destino final, seja pelo simples prazer de ver o mundo do alto.

"Nós queremos democratizar o transporte aéreo, abrir a todos um mundo que é muitas vezes percebido como reservado à elite", diz Emeric de Waziers, 26, piloto, presidente e um dos três jovens sócios e fundadores da plataforma de compartilhamento de voos.

A ideia nasceu quando Waziers fazia engenharia. Com um brevê de piloto desde os 15 anos de idade, o francês queria voar mais. Mas os custos para tirar o avião do solo começaram a ser um problema. Por que não, então, dividir os custos com outras pessoas?

"Uma hora de voo custa, em média, € 200 (R$ 840), na França", afirma. "Na Wingly, esse custo pode ser dividido por até seis passageiros."

A empresa foi lançada no fim de 2015, mas começou a operar de verdade há quase dois anos. Os mercados em que atua são França, Reino Unido e Alemanha. Porém, como o cadastro é livre, é possível encontrar ofertas de voo em toda a Europa e até no Brasil.

Entre os 9.000 pilotos, existem dois perfis principais: "Há aqueles que querem acumular mais horas de voo para se lançar na aviação comercial e outros que querem, simplesmente, dividir a paixão de voar e ainda economizar gastos".

O valor é fixado pelo piloto e varia conforme o tempo e a distância de voo. Meia hora sobre os arredores de Paris pode custar € 50 (R$ 210), o mesmo preço de uma corrida de táxi até o aeroporto Charles de Gaulle.

Como a ideia é baseada na economia colaborativa, o piloto não ganha nada. Para fazer a intermediação, a empresa cobra 15% do valor do voo, mais € 4 (R$ 17) para cobrir os custos de reserva.

Hoje, 70% dos passageiros são turistas em sobrevoos.

Para Waziers, uma rodada de investimentos feita em março ajudará a empresa a aumentar a base de colaboradores. O francês não informa o valor da injeção de capital, mas diz que será bem acima dos € 500 mil (R$ 2,1 milhões) iniciais.

A empresa tem planos para se expandir internacionalmente nos próximos três anos. O Brasil é um dos mercados estratégicos. "Estudamos os números, conhecemos o mercado brasileiro, sabemos o que ele representa e temos pilotos interessados. Agora, precisamos nos informar mais sobre a regulamentação do setor", diz.

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