Taxa de juros nesse nível trará mudança radical no sistema financeiro, diz Ilan

Presidente do BC afirma que Selic baixa é o insumo principal à queda das taxas bancárias

O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn
O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn - Adriano Machado - 3.abr.2018/Reuters
Silas Martí
Nova York

Em visita aos Estados Unidos, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, defendeu os avanços da economia brasileira, dizendo que se a Selic (taxa básica de juros), que frisou estar agora no menor patamar da história, for mantida nesse nível haverá uma mudança radical no sistema financeiro. 

“O Brasil nunca conviveu com essas taxas baixas”, disse em Boston, em um encontro organizado por alunos de Harvard e MIT.

“É o insumo principal à queda das taxas bancárias. Mas isso depende das reformas e dos ajustes", afirmou.

Ele falava, no caso, sobre a votação da reforma da Previdência e outras medidas fiscais que precisam ser implementadas para manter a taxa básica de juros, hoje em 6,5% ao ano, nesse patamar.

Goldfajn também comentou a ideia de regular a inflação usando a taxa de câmbio defendida por Ciro Gomes, pré-candidato ao Planalto pelo PDT, dizendo que essa é uma estratégia equivocada.

Esclarecendo que ele não fazia uma avaliação da proposta de um candidato específico, o presidente do Banco Central disse que “é importante que a taxa de câmbio não seja usada para controlar a inflação porque já tentamos isso e não deu certo”.

“Se a gente não puder repetir os mesmos erros, já é um avanço. Não vamos congelar preços para ter que soltar”, disse Goldfajn.

“A gente congelou preços da Petrobras, deu tudo errado. Tivemos a crise cambial porque o câmbio é mais rígido. Proponha erros novos e não os antigos.”

O presidente do Banco Central comentou ainda a votação do cadastro positivo no Congresso na semana que vem, defendendo a medida e dizendo que espera “não haver surpresas” na aprovação.
 

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