Temer diz que país não vive desgraça institucional absoluta e fala em recuperação

Em evento com cooperativas, presidente destacou melhora de indicadores econômicos

Talita Fernandes
Brasília

Em evento com cooperativas, o presidente Michel Temer afirmou que o Brasil não vive desgraça institucional absoluta. Ele destacou a melhora de indicadores econômicos e disse que é necessário um espírito de cooperação no país para uma melhora econômica.

Temer afirmou também que o país tem o hábito de apartar setores e atividades.

"Quando começa a acontecer isso, parece que é uma crise insolúvel. É fundamental, vamos tocar em frente. Se nós estivéssemos em uma desgraça institucional absoluta, paciência, mas não estamos, meus senhores. Estamos caindo com a inflação, com os juros, recuperando a economia graças à atividade do agronegócio", disse. 

O discurso foi feito nesta quarta-feira (11) em Brasília, em evento da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras). O presidente aproveitou as declarações de seu ex-ministro da Justiça, deputado Osmar Serraglio (MDB-PR), para voltar a defender o cumprimento da Constituição.

Serraglio discursou em tom crítico à Justiça, dando a entender indiretamente que se referia ao STF (Supremo Tribunal Federal).

"Um dos maiores males a que nos submetemos, e isso é prejudicial ao país, é o da insegurança jurídica. Se não fosse bastante nossa produção desenfreada de regrar, ainda ficamos à mercê das mutantes visões dos aplicadores do Direito. Questões da maior relevância são decididas por liminares, até contrariando o plenário, como na questão dos indígenas", disse o parlamentar.

Na sequência, Temer disse que o Brasil tem uma trava histórica de rupturas institucionais. "O Brasil é um pais curioso que tem uma trava histórica que nos preocupa muito", disse. 

Como exemplo, ele citou as mudanças de regime que o país viveu desde a proclamação da República, em 1889, citando o Estado Novo (1930-1945) e o período entre 1964 e 1988, sem falar em Ditadura Militar.

Ele lembrou ainda que a Constituição Federal, de 1988, completará 30 anos de sua promulgação este ano. Temer deu a entender que o país precisa evitar uma nova ruptura nesse momento.

"A cada 20, 25, 30 anos temos uma crise institucional e se nós não conseguimos superá-la e qual é a ideia? Criamos um novo estado, e quando criamos um novo estado, ressurge uma nova Constituição", disse, ao recordar a história da política brasileira. 

Temer, que é alvo de investigações no STF e tem defendido regularmente o cumprimento da Constituição em seus discursos. A fala é interpretada por aliados como críticas indiretas a magistrados da corte, especialmente depois de o ministro Luís Roberto Barroso ter determinado sua quebra de sigilo bancário e fiscal no mês passado.

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