Descrição de chapéu varejo inflação

Varejo tem pior fevereiro em 3 anos com queda na venda de mercados e combustíveis

Segundo IBGE, alta é de 1,3% em relação ao mesmo mês de 2017, mas ritmo de expansão é lento

Consumidores em supermercado em Vitória (ES)
Consumidores em supermercado em Vitória (ES) - Joel Silva/Folhapress
 
Flavia Lima
São Paulo

​.Em mais um sinal de que o consumo avança lentamente e compromete a retomada mais forte da economia como era esperado por analistas no fim de 2017, as vendas do varejo no Brasil caíram 0,2% em fevereiro deste ano influenciadas por alimentos e combustíveis.

Foi o pior resultado para o mês desde 2015, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Analistas previam alta ao redor de 0,7% para o período.

Com o resultado, o varejo ainda se encontra 8,5% abaixo do nível recorde alcançado em outubro de 2014.

Rio Grande do Norte, Distrito Federal e São Paulo registraram os piores desempenhos, com quedas entre 3% e 1,5% no mês. As baixas, no entanto, atingiram 15 das 27 unidades da Federação.

Desde o início de 2017, as oscilações mensais do comércio varejista --com oito altas e seis quedas no período-- ilustram a fragilidade de um setor que depende basicamente do emprego, variável que reage alimentada basicamente pela informalidade.

Além do fraco mercado de trabalho, as férias e o comprometimento da renda com quitação de tributos no início do ano explicam o quadro, disse a gerente da pesquisa do IBGE, Isabella Nunes.

Sobre igual mês do ano passado, o comércio varejista subiu 1,3%, mostrando uma melhora gradual em um prazo mais longo. Mesmo assim, o ritmo é lento.

Em 12 meses, até janeiro, o crescimento foi de 2,4%. Até fevereiro, de 2,8%.

O varejo ampliado, que inclui automóveis e material de construção e depende muito de crédito, por exemplo, caiu 0,1% em fevereiro. Na comparação com fevereiro de 2017, a alta foi de 5,2%.

FRUSTRAÇÃO

Para a MCM Consultores, os resultados do comércio, assim como os da indústria divulgados na última semana, revelam uma velocidade de recuperação mais lenta.

Assim, as previsões da consultoria para o PIB (Produto Interno Bruto) do primeiro trimestre (a ser divulgado no fim de maio) serão revisadas.

"Apesar disso, acreditamos que esse comportamento representa acomodação, e não reversão da tendência de crescimento", diz a MCM.

José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator, diz que os resultados mais recentes referentes à atividade econômica confirmam o quadro de uma recuperação em 2017 muito ligada a fatores pontuais, em especial o excelente desempenho da produção agrícola e os saques das contas inativas do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), liberando cerca de R$ 44 bilhões em recursos.

Em relatório, Gonçalves lembra ainda que os esforços recentes do Banco Central para emplacar medidas que reduzam os spreads bancários (a margem de ganho dos bancos) indicam as barreiras à recuperação do crédito.

Surpresa, a ACSP (Associação Comercial de São Paulo) disse que os fundamentos econômicos e a base fraca de comparação sugeriam números melhores para o varejo.

"Essa surpresa é difícil de ser explicada, mas não deve se repetir nos meses seguintes", diz o presidente da ACSP, Alencar Burti.

Diante dos números mais fracos do que o esperado, os economistas já começaram o movimento de revisão para baixo do PIB de 2018.

A pesquisa semanal do Banco Central com economistas mostra que as projeções para o PIB de 2018 vêm caindo. Eles começaram o ano prevendo expansão de 2,7%. A expectativa encostou em 3% no fim de fevereiro e, hoje, a alta esperada é de 2,8%.

 
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