Argentina negocia com FMI tipo de socorro que impõe exigências

Ministro da Fazenda tem em Washington primeira reunião com membros do Fundo

Alejandro Werner, diretor para o Hemisfério Ocidental do FMI, e Nicolás Dujovne, ministro da Fazenda da Argentina, nesta quarta (9), em Washington
Alejandro Werner, diretor para o Hemisfério Ocidental do FMI, e Nicolás Dujovne, ministro da Fazenda da Argentina, nesta quarta (9), em Washington - AFP
Estelita Hass Carazzai
Washington

O ministro da Fazenda da Argentina, Nicolás Dujovne, teve nesta quarta (9) a primeira reunião com membros do FMI (Fundo Monetário Internacional) para negociar um empréstimo para o país, o primeiro em 15 anos.

O pedido do governo é por um acordo financeiro do tipo “stand-by” —o clássico empréstimo usado para socorrer países com problemas em sua balança de pagamentos. 

A Argentina já recorreu a essa modalidade de financiamento no início dos anos 2000, quando da crise financeira do país. É um empréstimo de montante significativo, com “acesso elevado”, segundo a nota do governo —que não revelou o valor da negociação.

A ideia inicial do ministério era recorrer a uma linha de crédito flexível, que é usada como garantia para outras operações e não necessariamente precisa ser sacada.

Mas, para se qualificar para esse tipo de financiamento, o país precisa ter indicadores econômicos sólidos, como inflação estável e boas finanças públicas, áreas em que a Argentina patina atualmente.

Já o empréstimo do tipo “stand-by” tem um valor maior, assim como juros maiores, e também exige que o país assuma compromissos, em um memorando de política econômica ou financeira. 

Entre as exigências do FMI, costumam estar limites ao gasto público —o que pode reduzir investimentos ou cortar reajustes ao funcionalismo—, reformas na previdência e a privatização de empresas e serviços públicos. 

Na Argentina, no passado, o fundo já impôs metas para a redução da dívida pública, inclusive em nível estadual, e a reforma do setor público, o que incluiu a privatização de rodovias e o aumento das tarifas de luz e gás. 

Foram critérios que condicionaram a continuidade dos empréstimos, e que revoltaram a população argentina, pelo corte de subsídios a províncias pobres e pela diminuição do poder de compra em meio a uma severa crise econômica. Na época, cerca de metade da população argentina vivia na pobreza. 

Não por acaso, o FMI foi alvo de protestos violentos no país no início dos anos 2000, que depredaram o centro de Buenos Aires.

Dujovne se reuniu com Alejandro Werner, diretor do FMI para o Hemisfério Ocidental. Mas essa foi só a primeira de várias reuniões. O pleito ainda irá passar por extensivas avaliações técnicas, que incluem uma visita in loco à Argentina, e depende da aprovação da diretoria do FMI.

Nesta quinta (10), o ministro irá encontrar a diretora-gerente do Fundo, Christine Lagarde, bem como David Malpass, subsecretário do Tesouro dos Estados Unidos, que é o país-membro com o maior percentual de votos na diretoria do FMI.

Para ser liberado, o empréstimo precisa ser aprovado pela diretoria. O processo dura cerca de seis semanas.

Dujovne não quis falar com a imprensa em Washington nesta quarta.

 
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