Descrição de chapéu Xi Jinping Brics

China parou de comprar soja dos EUA e Brasil é beneficiado, diz empresa

China alertou que imporia tarifas de 25% à soja americana em retaliação à sobretaxas

homem parado em frente a um vagão do terminal de exportação de soja no Porto de Santos
Terminal de exportação de soja no Porto de Santos - Juca Varella/Folha Imagen
Gregory Meyer e Neil Hume
Londres

Os compradores chineses suspenderam a aquisição da safra americana de soja deste ano, de acordo com a maior companhia mundial de processamento de sementes oleaginosas, em um sinal de que a possível guerra comercial já está redefinindo os padrões de compras, e de forma prejudicial aos agricultores americanos.

Soren Schroder, presidente-executivo da Bunge, declarou em entrevista que via os Estados Unidos realizando "poucas se alguma" vendas de soja à China, a maior importadora dessa commodity.

"Os negócios chineses que estão acontecendo não envolvem os Estados Unidos, mas sim o Brasil e o Canadá", ele disse.

A China alertou que imporia tarifas de 25% à soja americana se o presidente Donald Trump cumprir sua ameaça de impor tarifas sobre diversos produtos importados da China. As importações de soja americana pela China atingiram o valor de US$ 12 bilhões no ano passado.

Uma delegação comercial da Casa Branca está viajando a Pequim para negociar, esta semana, o que pode reduzir a tensão entre os dois países, mas os compradores chineses já reagiram à ameaça de que safras compradas agora para entrega futura estarão sujeitas a tarifas, disse Schroder.

"Durante o verão, você em geral faz grandes pedidos aos Estados Unidos para entrega no outono, mas isso não está acontecendo agora", disse Schroder. "E duvido que aconteça antes que as coisas se tornem mais claras".

A Bunge, que controla ativos na área de processamento e comércio de sementes oleaginosas na América do Norte, América do Sul e Ásia, tem um ponto de vista privilegiado para detectar mudanças nos padrões de comércio.

Os dados oficiais ainda não mostram a mudança identificada por Schroder.

Estatísticas oficiais do Departamento da Agricultura dos Estados Unidos demonstram que, até 19 de abril, comerciantes tinham compromissos para vender 954 mil toneladas de soja americana à China, no ano comercial que começa em 1º de setembro.

Um ano atrás, as vendas até aquela data eram de 982 mil toneladas.

Alguns anos atrás, o número nessa data costumava ser de mais de cinco milhões de toneladas. Os Estados Unidos estão perdendo parte do mercado mundial de soja para a América do Sul, e o Brasil é o principal beneficiário, conquistando boa parte do mercado.

No começo da temporada de cultivo, como agora, as vendas tendem a ser frouxas, porque os agricultores americanos semearam apenas parte da área de cultivo da soja. Em 2016-2017, as exportações de soja americanas à China atingiram os 36,2 milhões de toneladas.

A soja se tornou uma das mais significativas áreas em disputa na escalada da retórica quanto ao comércio internacional que opõem os Estados Unidos à China, em parte porque a safra é cultivada nos estados do Meio-Oeste americano, que votaram predominantemente em Trump.

Os comentários de Schroder foram feitos depois que a Bunge reportou resultado melhor que o esperado no primeiro trimestre, com prejuízo líquido de US$ 21 milhões.

A empresa indicou que seus negócios com sementes oleaginosas haviam melhorado por conta de movimentos de preços causados pela safra de soja argentina inferior à prevista. 

Tradução de PAULO MIGLIACCI.

Financial Times
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