Greve de caminhoneiros entra no 2º dia e 20 estados têm protestos

Homem morreu após ser atropelado durante bloqueio no Paraná

Marcelo Toledo
Ribeirão Preto (SP)

Caminhoneiros voltaram a bloquear rodovias do país ou a provocar lentidão no trânsito desde a madrugada desta terça-feira (22), no segundo dia de paralisação contra a política de reajustes do óleo diesel.

Um homem morreu no Paraná, na tarde desta segunda-feira (21), após ser atropelado acidentalmente na BR-376, em Paranavaí, durante um bloqueio. O nome da vítima não foi revelado. Após ser socorrido, ele sofreu uma parada cardiorrespiratória e morreu num hospital da cidade. 

Ao menos 19 estados já registram manifestações, entre eles São Paulo, onde o trânsito está lento na rodovia Dutra, em Jacareí.

Os protestos, assim como nesta segunda-feira, atingem as cinco regiões do país. Também há atos em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Goiás, Alagoas, Bahia, Pernambuco, Maranhão, Tocantins, Sergipe, Rondônia, Ceará  e Pará nesta terça.

Assim como no primeiro dia, Minas é o estado com mais pontos de protesto. Dos 15 desta segunda, o total subiu para 20, nesta terça. Entre as rodovias atingidas está a Fernão Dias.

No Rio de Janeiro, há um trecho da Dutra interditado no sentido São Paulo-Rio desde a noite desta segunda. No sentido Rio-SP, há caminhões parados no acostamento. Também há manifestação na BR-101.

Goiás apresenta sete pontos de manifestação, que atinge cidades como Aparecida de Goiânia, Catalão, Rio Verde e Jataí. No Paraná, o tráfego está interrompido para caminhões no km 339 da BR-277. No Espírito Santo, a BR-101 tem ao menos três pontos de lentidão, em Cachoeiro do Itapemirim, Ibatiba e Viana.

A greve é organizada pela Abcam (Associação Brasileira dos Caminhoneiros), que representa motoristas autônomos –a paralisação não envolve veículos fretados.

Os caminhoneiros pedem mudanças na política de reajuste dos combustíveis da Petrobras, com a redução da carga tributária para o diesel. Além disso, querem isenção da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico).

De acordo com a CNTA (Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos), foram registrados 188 pontos de paralisação no país na segunda, sendo 7 no Norte, 38 no Centro-Oeste, 27 no Nordeste, 55 no Sul e 61, no Sudeste.

Na maioria dos estados, os caminhoneiros desencadearam a operação tartaruga, o que deixou o tráfego lento. Em outros locais, houve interdições totais ou parciais e queima de pneus.

REFLEXOS

A administradora do Aeroporto de Brasília, Inframerica,  informou na tarde desta terça-feira que os caminhões com combustíveis para os aviões "enfrentam dificuldades para chegar ao aeroporto devido a greve dos caminhoneiros".  A concessionária pede aos passageiros que busquem as companhias aéreas para buscar mais informações. 

Os dois dias de manifestação dos caminhoneiros fizeram a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) emitir comunicado sobre os riscos ao setor caso os bloqueios persistam nas rodovias do país.

“A continuar este quadro, há risco de falta de produtos para o consumidor brasileiro. Animais poderão morrer no campo com a falta de insumos. Já temos relatos de unidades produtoras com turnos de abate suspenso”, diz trecho de comunicado da associação, que representa mais de 140 agroindústrias e entidades vinculadas à avicultura e à suinocultura.

Ainda segundo a ABPA, contratos de exportação poderão ser perdidos e há “um forte aumento de custos logísticos com reprogramação de embarque de cargas”.

O setor automotivo também enfrenta problemas em sua logística por conta da greve. 

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