Descrição de chapéu greve dos caminhoneiros

Após chegada do Exército aos atos, caminhoneiros deixam Régis e Dutra

Caminhoneiros dão sinais de dispersão após PRF alertar que militares estão a caminho

Gustavo Fioratti Bruno Benevides
São Paulo e Jacareí

Caminhoneiros que mantinham paralisações em São Paulo nas rodovias Presidente Dutra, em Jacareí, e Régis Bittencourt, na região próxima a Embu das Artes, deixaram os pontos de bloqueio na manhã desta quarta-feira (30) após a chegada de tropas do Exército.

Pela manhã, a Polícia Rodoviária Federal alertou os caminhoneiros de que quem estivesse obstruindo a passagem poderia ser retirado à força pela tropa de choque ou pelo Exército, com utilização de armas de efeito moral. 

A ameaça acabou não se concretizando. Alguns caminhoneiros já queriam voltar a trabalhar e aguardaram as tropas para poder sair dos bloqueios com segurança. Motoristas ouvidos pela Folha temiam represálias da parcela mais radicalizada do movimento. 

Na tarde desta quarta, os grupos de veículos estacionados já haviam se dispersado em ambas as rodovias. Ainda há 540 aglomerações nas estradas, segundo o ministro Raul Jungmann (Segurança Pública), mas nem todos são ligados a caminhoneiros.

Na Dutra, a estimativa da Polícia Federal Rodoviária é de que havia 5 mil veículos na região próxima a Jacareí. 

As tendas que serviam de apoio, com café é comida, foram desmontadas por volta das 9h. Após a chegada do Exército, uma grande fila de caminhões se formou dos dois lados da rodovia, com centenas de veículos deixando o local.

Tombamento

Dois quilômetros depois de deixar a paralisação na Régis, um caminhão que transportava geladeiras tombou no acostament. 

O motorista, Paulo Ricardo Florentino, 28, havia deixado a manifestação após dez dias de bloqueio e diz ter sido atacado por um motoqueiro, que atirou uma pedra em seu para-brisa.

COMEMORAÇÃO E MEDO 

Os caminhoneiros comemoraram a liberação na Dutra e disseram que não aguentavam mais o "martírio" do protesto. Muitos se abraçaram e houve gritos de "vou para casa".

Alguns, porém, expressaram medo de que nas estradas menores ainda existam bloqueios e afirmaram que pretendem continuar parados até o clima melhorar.

Um pequeno grupo de caminhoneiros, com 20 pessoas, criticou os colegas que deixavam o local. Eles afirmaram que o protesto deveria continuar, tendo como tema a prisão de políticos corruptos e a intervenção militar.

Ainda na Dutra, muitos reclamaram que a população não foi para as ruas e que preferiu encher o tanque de seus carros com gasolina a se juntar a paralisação.

Segundo eles, a decisão de sair aconteceu por "ordem de cima", em referência aos empresários do setor. Afirmaram ainda que na noite de terça (29), houve ameaças de que o Exército atacaria o local e que isso teria incentivado a saída da maioria do grupo.

Pouco depois, porém, eles mesmos entraram em seus caminhões para deixar o local. Alguns prometeram deixar os veículos parados em casa.

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