Descrição de chapéu Brasil que dá certo

Tecnologia permite a seguradoras esmiuçar comportamento dos motoristas

Setor é o que mais investe em inteligência artificial, com gasto anual médio de R$ 460 mi por empresa

Lucas Callegari
São Paulo

As seguradoras brasileiras apostam na aplicação da inteligência artificial para conseguir não apenas maior eficiência nos negócios como também se aproximar dos seus consumidores.

Através da captação de um grande volume de dados, as seguradoras conseguem análises mais aprofundadas dos riscos de uma carteira de seguros, seja de vida, automóvel, saúde ou residência, reduz custos de operação e oferece uma melhor experiência aos usuários. 

“Há uma pressão cada vez maior para que as seguradoras se tornem digitais, customizadas e eficientes. E isso envolve mais do que ter um site ou aplicativo como canal de distribuição alternativo”, afirma Hugo Assis, líder de seguros para Brasil e América Latina da Accenture, consultoria da área de TI.

Não à toa, o setor é dos que mais investem na inteligência artificial. Uma pesquisa global realizada no ano passado pela Tata Consultancy Services com 13 segmentos mostrou que as seguradoras têm um gasto anual médio com inteligência artificial de US$ 124 milhões (R$ 460 milhões) por empresa. 

A média fica em US$ 67 milhões (R$ 249 milhões) por companhia quando considerados todos os setores.
O levantamento, que ouviu 835 executivos em 13 países, incluindo o Brasil, mostrou ainda que as seguradoras encaram esta nova área como estratégica para alavancar seu crescimento no curto prazo.

No Brasil, a adoção dos sistemas artificiais é resultado direto das insurtechs, startups  do setor de seguros. 

Um exemplo é a Thinkseg, que faz intermediação das seguradoras, corretores e clientes para compra e venda de seguros e tem entre seus parceiros Bradesco Seguros, SulAmérica e Odontoprev. 

Seu sistema se baseia na personalização do seguro de acordo com a demanda de cada cliente, nos modelos “pay how you drive” (pague como você dirige) —quando o segurado pode ter um desconto de até 50% no valor da apólice se for um motorista mais cuidadoso.

“O que o fazemos é descobrir diferenças de comportamentos dos consumidores e oferecer um produto mais adequado, com preço mais justo. Cada vez mais você vai pagar por aquilo que precisa exatamente”, diz o presidente-executivo da Thinkseg, André Gregori, 45.

Ele dá o exemplo do seguro para automóveis. Ao adquirir a apólice da Thinkseg, o usuário instala um aplicativo no seu celular que coleta dados como distância de frenagem, aceleração, viradas e percursos percorridos. 

Eles vão mostrar o perfil de direção do motorista e, por sua vez, definir o quanto ele pagará pelo seguro. 
Outro exemplo está na Porto Seguro. A empresa desenvolve um projeto piloto de atendimento automatizado em parceria com a startup inYtcer. O cliente pode entrar em contato por voz ou texto e o sistema responde com base em um banco de dados de perguntas frequentes. 

A inteligência artificial permite que a plataforma evolua, aprendendo diferentes roteiros de atendimento. 
A inYtcer é uma das 29 empresas que receberam apoio  nos últimos nove meses da Oxigênio, aceleradora de startups da Porto Seguro. Cada uma recebe um aporte médio de R$ 50 mil. 

Projeto que teve início dentro do departamento de tecnologia da Porto, a Oxigênio é uma iniciativa da seguradora para se aproximar das inovações que acontecem no mercado. 

“Acreditamos que as respostas para muitas perguntas estão fora da Porto Seguro”, afirma Maurício Martinez, 47, gerente de pesquisa e desenvolvimento da empresa. 

Segundo Martinez, a inteligência artificial é crucial para o futuro do mercado de seguros. Mas os custos para apostar nesta ferramenta não são baixos. 

“Este é um segmento que requer um bom cientista de dados e este profissional custa caro no Brasil”, afirma.

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