TST aumenta multa diária de petroleiros grevistas para R$ 2 milhões

Laís Alegretti
Brasília

Depois de entidades de petroleiros descumprirem determinação judicial, a ministra do TST (Tribunal Superior do Trabalho)  Maria de Assis Calsing aumentou para R$ 2 milhões o valor da multa diária a ser paga por entidade sindical em caso de desobediência. Em decisão desta terça-feira (29), a ministra havia fixado multa diária no valor de R$ 500 mil.

De acordo com o tribunal, 18 sindicatos estão sujeitos à penalidade, que será aplicada se continuarem a greve e se agirem para impedir o livre trânsito de pessoas. A ministra também determinou, de acordo com o TST, que cópias dos autos sejam remetidas à Polícia Federal, para fins de apuração de crime de desobediência.

 

A categoria aprovou a greve em protesto contra o plano de venda de ativos da estatal e pede a demissão do presidente da companhia, Pedro Parente. Na semana passada, após o início da paralisação dos caminhoneiros, incluiu na pauta a redução dos preços dos combustíveis.

"Os trabalhadores não vão trabalhar, porque eles sabem o que está acontecendo dentro da Petrobras. Eles sabem que hoje está em curso um processo de entrega do patrimônio público", disse Rangel, durante plenária na CUT (Central Única dos Trabalhadores) do Rio, na noite de terça (29).

De acordo com os sindicatos, as mobilizações incluíram a suspensão de troca de turnos e paralisações em refinarias, terminais e plataformas de produção de petróleo. Houve atos também na frente de unidades administrativas da companhia.

A FUP (Federação Única dos Petroleiros) diz que houve adesão em 25 plataformas de produção de petróleo. Três delas teriam tido suas operações paralisadas, segundo a entidade. A greve tem duração de 72 horas.

Em nota, a Petrobras informa que não houve impactos na produção e que destacou equipes de contingência para manter as operações. As refinarias continuam produzindo combustíveis e entregando às distribuidoras.

Na semana passada, o anúncio de greve dos petroleiros gerou preocupações sobre o risco de aprofundamento da crise de desabastecimento gerada pela paralisação dos caminhoneiros. A própria categoria, porém, avisou que não interromperia o fluxo de combustíveis para o mercado.

Na terça, a Petrobras e a AGU (Advocacia-Geral da União) foram ao TST pedir liminar para impedir a mobilização. A ministra Maria de Assis Calsing determinou multa para os sindicatos que impedissem o livre trânsito de pessoas às instalações da estatal.

Com a desmobilização dos caminhoneiros, os sindicatos ligados à Petrobras perderam importante apoio. A categoria diz que a paralisação atual é uma advertência à estatal e ameaçam greve por tempo indeterminado.

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.