Com incertezas, BC não sinaliza próximos passos de sua política monetária

Autoridade monetária afirmou em ata, porém, que inflação é foco exclusivo

O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, em cerimônia em Brasília
O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, em cerimônia em Brasília - Pedro Ladeira/Folhapress
São Paulo

Diante das incertezas que rondam a economia brasileira, o Banco Central decidiu não se comprometer com sinalizações sobre seus próximos passos na política monetária, mas reafirmou que ela tem foco exclusivo na inflação, seus balanços de risco e atividade econômica.

"Em termos de sinalização futura, todos [os membros] concordaram que o maior nível de incerteza da atual conjuntura recomenda se abster de fornecer indicações sobre os próximos passos da política monetária", trouxe a ata do Copom (Comitê de Política Monetária) do BC divulgada nesta terça-feira (26).

E adicionou: "Os membros do Copom reiteraram a importância de reafirmar a atuação da política monetária exclusivamente com foco na evolução das projeções e expectativas de inflação, do seu balanço de riscos e da atividade econômica".

Na semana passada, o BC manteve a taxa básica de juros na mínima histórica em 6,5% ao ano, como esperado e pela segunda vez seguida, citando piora no mercado externo e, ao mesmo tempo, recuperação "mais gradual" da economia brasileira neste ano após a greve dos caminhoneiros de maio, que afetou o abastecimento no país todo.

No Copom de maio, o BC chegou a dizer que o atual nível da taxa básica de juros deveria ser mantido nas suas próximas reuniões, referência que retirou na semana passada.

As projeções sobre o desempenho da economia têm se tornado cada vez mais pessimistas. Pesquisa Focus do BC, que ouve uma centena de economistas todas as semanas, mostra que a estimativa de expansão do PIB (Produto Interno Bruto) do país neste ano estava em 1,55%, depois de ter chegado a 3% alguns meses antes.

Na ata, o BC reafirmou que a paralisação dos caminhoneiros dificulta a avaliação sobre a atividade e que os dados de maio e possivelmente de junho deverão refletir os efeitos do movimento. Mas acrescentou que, ao logo de julho e agosto, a evolução da economia "deve indicar com mais clareza o ritmo da recuperação, que poderá se mostrar mais ou menos intensa".

O BC repetiu ainda que vê a continuidade do processo de recuperação da atividade, mas com ritmo mais gradual do que o percebido antes da paralisação, que também vai gerar mais inflação no curto prazo. Mas, o "cenário básico antecipa que esses efeitos devem ser temporários, constituindo ajuste de preços relativos aos referidos choques".

"[Os membros do Copom] concordaram que, no curto prazo, deverá ser mais difícil verificar se a evolução da economia segue em linha com seu cenário básico para o médio e longo prazos", acrescentou.

O mercado, em geral, tem visto que a inflação provavelmente terminará o ano a 4%, abaixo do centro da meta de 4,5% pelo IPCA com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, acelerando então a 4,1% em 2019. E também vê que a Selic não será alterada até o final deste ano. Para o fim de 2019, a expectativa é de que ela vá a 8%.

Sobre o cenário internacional, o BC informou que em seu cenário básico vê normalização gradual da política monetária nos países centrais e que há risco de maior impacto desse processo sobre economias emergentes, o que poderá reforçar os ajustes em preços de ativos e volatilidade nas condições financeiras no mercado internacional.

E reforçou que os "choques de preços relativos devem ser combatidos apenas no impacto secundário que poderão ter na inflação prospectiva" e que "não há relação mecânica entre choques recentes e a política monetária".

Desde do Copom em 16 de maio, o dólar chegou a saltar quase 7% até o dia 7 deste mês, pico do período e quando fechou a R$ 3,9258. Em quatro meses até maio, a moeda americana acumulou valorização de 17,5%.

Diante disso, o BC intensificou ainda mais sua intervenção no mercado cambial e, deste então, o dólar tem se estabilizado ao redor do patamar de R$ 3,75.

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