Trump ameaça tarifar Harley-Davidson 'como nunca antes'

Fabricante icônica de motos anunciou que parte da produção deixaria os EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou nesta terça-feira (26) a icônica fabricante de motocicletas Harley-Davidson de usar a guerra comercial como um pretexto para levar parte de sua produção para fora dos Estados Unidos e ameaçou aumentar a carga tributária da empresa "como nunca antes".

"Neste ano a Harley-Davidson já havia anunciado que deslocaria a maior parte de suas operações em Kansas City para a Tailândia. Foi muito antes de as tarifas serem anunciadas. Ela usou a guerra de tarifas/comércio como um pretexto", escreveu o presidente em sua conta no Twitter.

A fabricante de motocicletas anunciou na segunda-feira (25) que transferiria parcela da produção de suas motos para fora dos Estados Unidos, a fim de evitar tarifas impostas pela União Europeia como parte de uma disputa comercial que está se expandindo.  

Representantes da Harley-Davidson não retornaram imediatamente um pedido de comentários.

 

Em sua postagem, Trump fez referência ao anúncio feito pelo grupo americano no início de 2018 de que iria fechar uma fábrica em Kansas City, no Missouri, numa operação que eliminaria 800 postos de trabalho na fábrica e criaria cerca de 450 outros em 2019 em York, na Pensilvânia.   

Ao contrário do tuíte de Trump, no entanto, a Harley não afirmou à época que estava transferindo a operação para a Tailândia. A fabricante alegou queda acentuada nos embarques de motocicletas.

Em seu anúncio na segunda, a empresa sequer disse para onde transferiria parte da produção —além da Tailândia, a Harley tem uma fábrica no Brasil e outra na Índia.

A companhia sediada em Milwaukee decidiu construir uma fábrica na Tailândia no ano passado, após os EUA deixarem a Parceria Transpacífico, o que teria reduzido as tarifas de importação de suas motocicletas em mercados de crescimento rápido na Ásia.

Trump respondeu com raiva ao anúncio da Harley, dizendo que lutou muito pela empresa de 115 anos e que ficou surpreso com seus planos de mudança.

"Eu lutei muito por eles e, em última instância, eles não pagam tarifas de venda para os EUA, o que prejudicou gravemente o comércio, em US$ 151 bilhões. Impostos [são] apenas desculpa da Harley —seja paciente!", Trump escreveu.

Em outra mensagem, Trump ameaçou a Harley-Davidson com mais tarifas caso a empresa tentasse trazer para os Estados Unidos motos feitas no exterior.

"A Harley deve entender que ela não poderá revender nos Estados Unidos sem pagar uma taxa pesada", tuitou o presidente, acrescentando que a fabricante sofreria reação pública com a decisão. 

"Uma Harley-Davidson não deve nunca ser construída em outro país! Seus funcionários e clientes já estão muito zangados. Se eles se mudarem, observem, será o começo do fim —eles se renderam, desistiram! A aura se perderá e eles serão taxados como nunca antes!", diz Trump. 

Não ficou claro, no entanto, a que impostos Trump estava se referindo e por que a empresa poderia ter que pagá-los, uma vez que pretende manter a produção nos Estados Unidos também.

'BIKERS FOR TRUMP'

Trump tem uma história com motociclistas americanos que pode levá-lo a se ressentir pessoalmente com o assunto.

Durante a campanha presidencial de 2016, Trump prestou homenagem aos seus seguidores motoqueiros e o grupo "Bikers for Trump" ("Motociclistas por Trump") foi formado para mostrar lealdade ao então candidato.

Trump convidou representantes da Harley-Davidson para a Casa Branca em fevereiro de 2017, pouco depois de ele assumir o cargo, cumprimentando-os com "Made in America, Harley-Davidson" ("Feito na América, Harley-Davidson").

"Os 'Bikers for Trump' eram inacreditáveis. Eles estavam comigo o tempo todo", disse o presidente.

Cecilia Malmström, comissária europeia de Comércio, afirmou nesta terça que a decisão da Harley é  uma das consequências da política comercial de Washington.

Na semana passada, a União Europeia impôs penalidades a US$ 3,2 bilhões em produtos americanos, incluindo as icônicas motocicletas.

A Harley informou que as tarifas da UE subiram de 6% para 31% e estimou que as taxas mais altas elevariam em cerca de US$ 2 mil o preço de cada motocicleta exportada.

A empresa afirmou que não repassará qualquer aumento de preços no varejo ou atacado na UE e, em vez disso, irá se concentrar em alterações na produção nos EUA.

Segundo a fabricante, aumentar a produção no exterior pode levar de nove a 18 meses. A Harley quer impulsionar a exportação de motocicletas para 50% do volume anual, de cerca de 43%.

Em 2017, a companhia vendeu quase 40 mil novas motos na Europa, o que responde por mais de 16% das suas vendas. As receitas dos países da UE foram perdidas apenas para os Estados Unidos.

agências de notícias
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