Trump diz que protege 'joias da coroa' com sobretaxas à China; veja lista

Sobretaxas começam a valer no dia 6 de julho

O presidente dos Estados Unidos em evento em Washington
O presidente dos Estados Unidos em evento em Washington - Nicholas Kamm - 16.jun.2018/AFP
Estelita Hass Carazzai
Washington

Em novo ataque à China, o presidente norte-americano Donald Trump, que anunciou mais tarifas ao país asiático, desta vez em produtos de tecnologia, disse nesta sexta-feira (15) que está protegendo “as joias da coroa” com a medida –que foi retaliada horas depois por Pequim e inflamou a guerra comercial entre os dois países.

“Nós temos os melhores cérebros no Vale do Silício. São as joias da coroa para esse país. E nós vamos protegê-los”, afirmou, durante entrevista à emissora Fox News.

Os Estados Unidos acusam a China de roubo de propriedade intelectual, por meio de acordos com empresas de tecnologia americanas que exigem a transferência de conhecimento para estatais do país.

Por isso, o governo estabeleceu sobretaxas de 25% a itens chineses como telas do tipo touchscreen, baterias, aeronaves, navios, motores de carros, radares, equipamentos de diagnóstico médico e máquinas agrícolas, entre outros.

A lista deixou de fora, porém, produtos comprados diretamente por consumidores americanos, como celulares, TVs e medicamentos –além de armas, que estavam no primeiro rol de punições, anunciado em abril.

As sobretaxas começam a valer no dia 6 de julho.

Em troca, Pequim anunciou, horas depois, tarifas retaliatórias de 25% a outros 659 produtos americanos, acusando os EUA de adotarem um “comportamento míope”.

“A China não quer uma guerra comercial, mas não temos outra opção a não ser nos opormos fortemente a isso”, informou o ministério do Comércio chinês.

O presidente americano, por outro lado, afirmou que iria impor “tarifas adicionais” em caso de retaliação, o que pode aumentar o tiroteio nos próximos dias.

A decisão de Trump não foi recebida com unanimidade entre os “cérebros do Vale do Silício”.

Há preocupação de que isso aumente os preços para os consumidores no mercado interno, o que não se dissipou com o anúncio das exclusões pelo governo dos EUA.

“Ele está tirando dinheiro do bolso de americanos”, afirmou, em nota, o presidente do Conselho da Indústria de Tecnologia da Informação (ITI, na sigla em inglês), Dean Garfield, que representa empresas como a Apple, Google, Dell e HP.

Segundo Garfield, mesmo tarifas sobre itens como sensores e componentes de impressoras já aumentam os custos de produtos do dia a dia, a despeito das exclusões anunciadas pelo governo.

Por outro lado, especialistas apontam que há mais apoio a essas sobretaxas do que às impostas por Trump contra o aço e o alumínio importados. "Empresas americanas têm encorajado o presidente, esperando que essa estratégia convença Pequim a enfrentar os crescentes problemas com propriedade intelectual dos chineses", afirmou, em artigo recente, o pesquisador Edward Alden, do Council on Foreign Relations.

Trump afirmou à Fox News que a medida protege a balança comercial americana e corrige um desequilíbrio nas importações chinesas, que superam as exportações dos EUA para o país. 

“A guerra comercial começou muitos anos atrás, e os EUA perderam”, disse o mandatário. “Isso não vai mais acontecer.” 

Na prática, a iniciativa também faz parte de uma investida dos EUA contra o poderio econômico chinês, que o governo Trump já qualificou como “uma ameaça à influência e aos interesses americanos”.

“O governo da China está trabalhando agressivamente para minar as indústrias americanas de alta tecnologia e nossa liderança econômica”, afirmou Robert Lighthizer, que coordena o Escritório de Representação Comercial dos EUA.

Parte dos itens incluídos na medida desta sexta, por exemplo, fazem parte do programa “Made in China 2025”, política industrial do governo chinês para promover a liderança do país em setores como robótica, produtos aeroespaciais e veículos elétricos.

No total, as tarifas atingem US$ 50 bilhões em produtos chineses (cerca de RS 188 bilhões) –o que equivale a aproximadamente 10% das vendas para os EUA.

 

ALGUNS ITENS QUE SERÃO TAXADOS:


Aeronaves 
Reatores nucleares
Máquinas de lavar
Balanças
Elevadores pneumáticos
Máquinas agrícolas
Impressoras
Lasers
Baterias de lítio e zinco
Receptores de rádio 
Radares
Câmeras de TV
Conectores elétricos
Motores de carros
Navios
Telescópios
Microscópios 
Equipamentos de diagnóstico médico (raio-x, ressonância)
Paineis de LED
Telas do tipo touchscreen

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