Baidu, gigante chinesa do mercado de buscas, fecha escritório no Brasil

Automatização do marketing em aplicativos e mudança de foco para inteligência artificial levaram a decisão, diz executivo

Robô desenvolvido pela empresa chinesa Baidu recepciona visitantes em evento em Pequim - Ng Han Guan/AP
Filipe Oliveira
São Paulo

A empresa de buscas Baidu decidiu fechar seu escritório em São Paulo.

Conhecida como Google chinês, a companhia chegou ao Brasil em 2013.

Segundo executivo que falou à Folha sob condição de anonimatoa principal função do escritório brasileiro era buscar anunciantes para fazer propagandas nos aplicativos que a empresa oferece para computadores e celulares.

Conforme a tecnologia avançou e esse tipo de serviço passou a ser feito de modo mais automatizado com maior frequência, no modelo conhecido no mercado como mídia programática, deixou de ser necessário ter um escritório local para fazer isso —a publicidade passou a ser gerenciada a partir da China e dos Estados Unidos.

A empresa também planejava comprar startups no Brasil, especialmente aquelas que fazem conexões entre serviços online e offline. 

Adquiriu, por exemplo, o serviço Peixe Urbano, de descontos em estabelecimentos variados, em 2014. 

Também anunciou em 2016 a criação de um fundo para investir US$ 60 milhões (R$ 264 milhões) em companhias iniciantes daqui e fomentou a criação de uma associação de startups, a de empresas O2O (do online para o offline).

Porém não chegou a fechar nenhum investimento em participação em companhias. Já o Peixe Urbano foi vendido em novembro do ano passado para o fundo de investimentos Mountain Nazca. 

A companhia chegou a ter 400 funcionários no Brasil, 25 próprios e 375 do Peixe Urbano.

A desistência do mercado de startups por aqui acontece em paralelo com a saída da empresa de mercado similar em outros países. Na China, o Baidu vendeu serviços de entrega de comida e de compras coletivas similar ao Peixe Urbano em 2017 e 2018.

Enquanto isso, o foco de atuação da empresa passou a ser o desenvolvimento de algoritmos de inteligência artificial, incluindo sistemas de carros autônomos e reconhecimento facial por imagem.

A reportagem tentou entrar em contato com o presidente da divisão brasileira da Baidu por telefone, porém não houve retorno até a publicação do texto.

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