Café especial já corresponde a 20% das plantações brasileiras

Grão deve seguir critérios de qualidade, mas pode ser vendido por quase quatro vezes o preço do comum

Homem prova xícaras de café
Funcionário da empresa de torrefação Bacchi, que processa o café da Cia. Orgânica do Café, faz degustação e análise da bebida - Rafael Hupsel/Folhapress
Gilmara Santos
São Paulo

​​A produção de cafés especiais também tem crescido no país. A estimativa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento é que 20% da plantação nacional em 2017 tenha sido deste segmento, que cresceu 20% nos últimos cinco anos.

Para ser classificado como especial, o café precisa atender diversos critérios, como doçura, acidez, corpo, aroma, sabor remanescente e equilíbrio, além da avaliação física do grão, que tem número máximo de defeitos permitidos. Só entram na categoria os grãos da espécie arábica.

"Uma característica importante do café especial é que não precisa colocar açúcar para disfarçar o seu gosto", afirma a diretora da BSCA (Associação Brasileira de Cafés Especiais), Vanusia Nogueira. 

Além disso, é necessário ter nota igual ou superior a 80 pontos na escala da ASC (Association of Specialty Coffee), que vai de zero a cem pontos.

O resultado para o cafeicultor é um preço de venda muito acima dos grãos tradicionais. "Enquanto um café comum é vendido a R$ 450 a saca, vendemos lotes entre R$ 700 e R$ 1.700", afirma o sócio diretor da Capricornio Coffees, Edgard Bressani, 48.

A empresa exportou 46 mil sacas de seus cafés especiais em 2017 e prevê chegar a 60 mil neste ano.
Os cafés orgânicos também estão ganhando espaço. São grãos cuja lavoura não usa nenhum adubo químico ou agrotóxico. 

A Cia Orgânica do Café, por exemplo, usa espécies de leguminosas que retêm nitrogênio no solo e outros vegetais que fazem sombreamento para os grãos. 

"As ruas do cafezal sempre têm o mato preservado, que ao longo do cultivo é trabalhado e transformado em matéria orgânica. Todo esse bioma atrapalha o ataque de pragas", explica o diretor da empresa, Thiago Fontoura Neto, 30.

A saca de café orgânico custa 30% a mais, segundo Fontoura Neto, que espera um crescimento de 20% em 2018. No ano passado, a Cia Orgânica produziu 450 sacas de café.

Fontoura Neto conta que a empresa surgiu em 2002, com a ajuda de seu pai. 

"O que me atraiu a este negócio foi a possibilidade de uma produção mais sustentável."

À época, eles tinham produção própria, mas desde 2015 optaram por parcerias com fazendas certificadas em produção de cafés especiais.

Uma das instituições responsáveis por essa certificação é a Imaflora. De acordo com seu coordenador de certificação agrícola, Tharic Galucchi havia no ano passado 100 mil hectares certificados e cerca de 300 produtores no Brasil.

O investimento para ter uma certificação varia entre R$ 2.000 e R$ 50 mil, dependendo da localização, tamanho da plantação e número de funcionários.

"Mas os ganhos são muitos, e destacaria dois: primeiro interno, com melhora na gestão de produtividade, e segundo a possibilidade de conquistar novos clientes, já que a certificação pode abrir mercado em vários países", afirma Galucchi.

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