EUA acionam OMC contra tarifas retaliatórias de China e Europa

Mais cedo, país asiático também havia reclamado ao órgão sobre taxações de Trump

Estelita Hass Carazzai
Washington

Depois de promoverem cinco rodadas de tarifas pelo mundo que deram início a uma guerra comercial global, os Estados Unidos ingressaram nesta segunda-feira (16) com uma reclamação contra a China, União Europeia, Canadá, México e Turquia na OMC (Organização Mundial do Comércio), em protesto contra sobretaxas retaliatórias aplicadas a produtos americanos.

O governo de Donald Trump, que já taxou quase US$ 100 bilhões em importações pelo mundo (ou cerca de R$ 387 bilhões) e vinha sendo um crítico incisivo da OMC, argumenta que agiu dentro de normas internacionais, com o objetivo de proteger a segurança nacional e protestar contra o roubo de propriedade intelectual pelos chineses.

Já os demais países teriam atuado “sem qualquer justificativa”, fora de tratados internacionais de comércio, segundo o governo dos EUA. Somados, eles aplicaram tarifas a cerca de US$ 67 bilhões em produtos americanos.

Os americanos tarifaram aço e alumínio importados, bem como produtos de tecnologia, peças e automóveis da China –e ameaçam expandir as tarifas contra mais US$ 200 bilhões em produtos no país asiático.

Eles afirmam que agiram com base em leis americanas e em investigações do governo, que demonstraram risco à segurança nacional ou práticas desleais por parte de determinados parceiros comerciais.

“Em vez de trabalharem conosco para enfrentar um problema comum, alguns dos nossos parceiros comerciais preferiram responder com medidas retaliatórias feitas para punir trabalhadores, empresas e fazendeiros americanos”, afirmou o embaixador Robert Lighthizer, que está à frente da Representação de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês).

CHINA

O Ministério do Comércio da China também acionou a OMC nesta segunda (16), contra a ameaça de novos US$ 200 bilhões em tarifas pelos americanos. 

O ministério chinês informou na semana passada que a China abriria uma reclamação junto à OMC contra o unilateralismo dos EUA.

Agora, cabe à OMC, presidida pelo brasileiro Roberto Azevêdo, arbitrar sobre a disputa.

Trump já afirmou que a organização é “uma catástrofe” e que os EUA perdem muitas batalhas na instituição. Ele defende que suas regras sejam atualizadas e que os países-membros precisam abrir suas economias —uma crítica especialmente dirigida à China.

Com Reuters

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