Governo quer mudar leilão de térmica para evitar repasse às contas de luz

Após reportagem da Folha, ministro diz que vai buscar alternativa para não elevar custo em R$ 1 bi

Marina Dias
Brasília

O governo quer discutir uma alternativa de financiamento para a construção de usinas térmicas que seja baseada em um sistema que não repasse os custos para o bolso do consumidor.

O ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, não aprova a modelagem do chamado leilão de reserva, certame em que o governo compra a energia que será gerada para viabilizar o empreendimento.

Nesse caso, é feito o repasse dos custos para a conta de luz de todos os consumidores —famílias e empresas.

Moreira afirmou à Folha que é necessário elaborar outra modelagem de financiamento, que não o leilão de reserva, para garantir energia limpa a preços mais justos.

As alternativas serão estudadas junto ao sistema financeiro, inclusive ao BNDES.

O ministro disse que vai procurar o banco público para avaliar as opções de modelagem para o setor.

Na sua avaliação, o problema não deve ser solucionado pelo ministério, uma vez que não é uma questão técnica, mas sim no sistema financeiro, que poderia dirimir esse tipo de equação.

"É preciso criar uma modelagem de financiamento que não seja o leilão de reserva. Não vejo com bons olhos essa metodologia", disse Moreira.

"O consumidor tem de pagar pelo que consome e não sustentar um sistema montado em pressupostos que não o levam em consideração."

Nesta sexta-feira (27) a Folha mostrou que há uma queda de braço, ainda silenciosa, no setor de energia para a realização de um leilão de usinas térmicas no Nordeste.

Políticos da região, especialmente de Pernambuco, e empresas do setor de óleo e gás têm pressionado para que se realize um leilão que pode acrescentar mais R$ 1 bilhão à conta de luz em todo o país.

A proposta, pelas discussões em curso, é construir, via leilão de reserva, uma ou várias usinas térmicas com capacidade para gerar entre 1.500 MW e 2.500 MW (megawatts), mas o custo disso —repassado e rateado entre os consumidores— é a cifra bilionária.

Moreira se diz favorável à substituição das usinas térmicas a óleo pelas movidas gás, por serem "mais limpas e muito mais baratas".

O equívoco neste caso, afirma o ministro, é justamente o leilão de reserva, que faz o consumidor arcar com os gastos por uma energia que não precisa ou não vai consumir.

Os defensores do leilão alegam que há risco de desabastecimento elétrico por causa da prolongada seca no Nordeste e que é preciso investir na autossuficiência regional, em razão das dimensões continentais do Brasil.

O ministro afirma que é importante adaptar o fornecimento de energia às realidades regionais, mas que é preciso buscar mecanismos que barateiem a vida das pessoas.

"A unificação do sistema não é a melhor alternativa, porque não é a mais barata", disse.

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