Em documento após fim de cúpula, ministros de países do G20 pedem mais comércio

Marcello Estevão afirmou que Brasil está preocupado com efeitos da guerra comercial entre EUA e China

Sylvia Colombo
Buenos Aires

O documento final da terceira reunião de ministros da economia e presidentes dos Bancos Centrais do G20, divulgado no fim da tarde deste domingo (22), em Buenos Aires, usou uma linguagem mais contundente do que a dos encontros anteriores para pedir mais diálogo e mais comércio entre os países.

Também foram feitos alertas diante das ameaças e os impactos que uma guerra comercial pode causar, principalmente nas economias emergentes. A reunião ocorreu quando há uma escalada de retórica na disputa comercial entre os EUA e a China.

foto oficial de ministros
A terceira reunião de ministros da economia e presidentes de Bancos Centrais do G20 terminou neste domingo (22) - Marcos Brindicci/Reuters

Diz o texto: "o crescimento econômico global continua sendo robusto, porém, menos sincronizado recentemente e os riscos de curto e médio prazo aumentaram.”

Entre eles, lista “as crescentes vulnerabilidades financeiras, o aumento das tensões comerciais e geopolíticas, a desigualdade e o crescimento estrutural mais frágil, particularmente em economias mais avançadas.”

O documento também diz que a política fiscal “deve ser utilizada de maneira flexível para favorecer o crescimento, priorizar o investimento de qualidade e ao mesmo tempo, melhorar a resiliência econômica e financeira, garantindo que a dívida como percentagem do PIB se encontre num caminho sustentável."

Ao final da reunião, o presidente Mauricio Macri afirmou aos representantes dos países participantes que a Argentina está "fazendo os esforços necessários, ainda que a taxa de crescimento neste ano não vá aumentar como esperávamos (a previsão foi recalculada para 0,5%)".

Pessoas manfiestma com cartazes na rua
Manifestantes protestam contra o FMI no último sábado (21), durante reunião dos ministros da economia e presidentes de Bancos Centrais do G20 em Buenos Aires, na Argentina - Gustavo Garello - 21.jul.2018/Associated Press

"Há algumas semanas tivemos que enfrentar turbulências devido a volatilidades externas e fatores internos, mas conseguimos navegar nestas águas agitadas e mantivemos o rumo."

A diretora do FMI, Christine Lagarde, por sua vez, além de novamente encorajar o programa de reformas argentino, fez um alerta geral de que a guerra comercial entre EUA e China pode afetar o PIB global.

Em entrevista a jornalistas neste domingo (22), o secretário internacional do Ministério da Fazenda, Marcello Estevão, disse que o Brasil “está preocupado porque a guerra comercial não envolve só a China e os EUA"

"Todos nós podemos levar uma bala perdida quando há briga entre economias muito grandes. Há pouco, levamos uma bala perdida com a questão do aço”, afirmou.

Se havia dúvidas de que a Argentina e o FMI fizeram as pazes, elas foram desfeitas nessa reunião.

Lagarde desmanchou-se em elogios às medidas do governo e elogiou Buenos Aires e sua receptividade.

Além disso, disse que o FMI deve voltar a abrir um escritório no país, fechado durante o kirchnerismo (2003-2015).

Lagarde acaba de aprovar uma linha de crédito “stand up” para a Argentina de US$ 50 bilhões, para que ajude o país a financiar seu déficit de orçamento. Apenas alertou que as metas devem ser cumpridas, especialmente a da redução da inflação, que vem crescendo apesar das ações do governo.

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