Ação da dona da rede Frango Assado não decola dois meses após anúncio de fusão

Sinergias previstas na operação deverão ficar cerca de 20% acima do previsto

Ana Paula Ragazzi
São Paulo

Dois meses após o anúncio da fusão entre a IMC (International Meal Company), dona das redes Viena e Frango Assado; e a Sapore, que produz refeições corporativas, a auditoria para o fechamento da operação está perto de ser concluída. As cotações da IMC na bolsa paulista, no entanto, pouco se mexeram no período. 

A Folha apurou que as sinergias previstas na operação deverão ficar cerca de 20% acima do previsto —as contas iniciais apontavam para R$ 50 milhões, mas esse valor deve subir para R$ 60 milhões.  As sinergias possíveis de serem capturadas na união das empresas são do ponto de vista de logística, distribuição e cozinhas inteligentes, além das questões operacionais. 

 

Após a divulgação do balanço da empresa, dia 14,  Newton Maia, presidente da IMC; e Daniel Mendez, dono da Sapore, deverão iniciar reuniões com investidores  e acionistas  para apresentar os detalhes do que será a nova empresa combinada. Há encontros agendados em São Paulo, Rio de Janeiro, Nova York e Londres.

A Folha entrou em contato com Maia, que não deu entrevista. Na sexta-feira, a IMC divulgou um comunicado ao mercado informando que a auditoria na Sapore deve ser concluída até 31 de agosto e na sequência serão finalizados os documentos da operação.

As empresas vão unir as operações e, ao  mesmo tempo, a Sapore vai fazer uma oferta pública de aquisição de 25% das ações da IMC. A oferta avalia cada ação da IMC a R$ 9,30, com prêmio de 21,5% em relação ao patamar que a empresa era negociada na bolsa antes do anúncio da operação.

A ação da IMC, no entanto, não decola. Continua sendo negociada na casa dos R$ 7,00 _  em tese, uma vez que existe uma oferta para sair avaliando os papéis a R$ 9,30 , a ação poderia se aproximar desse patamar mais elevado.  

Algumas razões podem explicar essa quase inércia das cotações da IMC. Dúvidas em relação ao resultado da auditoria na Sapore.  Por essa razão, a empresa pode ter optado por divulgar o comunicado dizendoo que o processo corre normalmente.

Outro motivo seria também dúvidas sobre a aprovação da operação pelos acionistas.

O negócio foi anunciado com Mendez ficando com 35% do capital da nova empresa combinada,  e os acionistas da IMC, com 65%. No entanto,  a oferta por 25% do capital  da IMC será lançada para permitir que Mendez fique com 42% da nova empresa. 

Se mais de 25% dos acionistas da IMC quiserem entregar seus papéis, haverá um rateio entre todos. Se menos de 25% dos acionistas concordarem, haverá uma operação de redução de capital da IMC. Uma espécie de condição de Mendez para a operação foi ser o maior acionista da companhia, apesar de o percentual não lhe garantir o controle.

A conta dessa oferta por 25% pelas ações da IMC ficará com os atuais acionistas da empresa –a Sapore vai emitir uma dívida, calculada em R$ 387 milhões, que será depois abraçada pela IMC. Isso só foi possível porque a IMC era uma empresa sem endividamento relevante.

Esses detalhes podem ser questionados pelos acionistas. A Folha apurou que a maioria deles quer a operação e  esse mesmo desejo pela conclusão  do negócio pode explicar também a falta de fôlego das cotações da IMC : poucos acionistas estariam dispostos a entregar os papéis a R$ 9,30, esperando por ganhos maiores após a conclusão da operação. 

Se  tudo der certo, a oferta sairá em meados de setembro por se tratar de uma operação voluntária, espera-se que tramite de forma mais rápida na análise da CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

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