EUA anunciam que devem dobrar tarifa sobre US$ 200 bi em produtos chineses

Partes afetadas poderão recorrer até setembro, quando a decisão final deverá ser chancelada

Júlia Zaremba
Washington

O conflito entre o governo Trump e a China aumentou nesta quarta (1). A administração afirmou que o presidente considera aumentar de 10% para 25% a tarifa sobre o total de produtos importados da China avaliado em US$ 200 bilhões (cerca de R$ 750 bilhões).

Peixes, vegetais, tabaco, petróleo e produtos químicos estão incluídos na lista dos mais de 5.000 itens que seriam afetados pela medida.

Donald Trump durante reunião na Casa Branca nesta quarta-feura (1º) - Andrew Harnik/Associated Press

A Representação de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), em nota, justificou a medida afirmando que "a administração continua a urgir a China a parar com práticas injustas, abrir o seu mercado e se engajar em uma verdadeira competição de mercado."

O porta-voz do primeiro ministro chinês, Geng Shuang, por sua vez, afirmou que "a pressão e a chantagem dos EUA não terão efeito" e que tomará contramedidas caso a sobretaxa seja adotada.

O anúncio foi bastante aguardado durante o dia. Mais cedo, a porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, havia afirmado que o presidente continuaria a "responsabilizar a China por suas práticas comerciais injustas". "Isso já foi longe demais, e ele tomará alguma providência", afirmou.

A administração já havia imposto, em julho, uma taxa de 25% sobre US$ 34 bilhões (em torno de R$ 128 bilhões) em importações chinesas. Aço, alumínio, produtos de tecnologia e automóveis são alguns dos itens sujeitos à tarifa. A China retaliou com tarifas equivalentes.

Também está em discussão a cobrança de 25% sobre outros US$ 16 bilhões em importações do país asiático.

No mundo, o governo de Trump já taxou quase US$ 100 bilhões em importações (cerca de R$ 387 bilhões). Os outros países sobretaxaram cerca de US$ 67 bilhões (R$ 251 bilhões) em produtos americanos.

Os Estados Unidos chegaram a acionar a OMC (Organização Mundial do Comércio) contra tarifas retaliatórias da China e da Europa. Argumentaram que agiram dentro de normas internacionais, enquanto que os outros países teriam agido "sem qualquer justificativa" e fora de tratados de comércio. A China também procurou o organismo internacional contra os US$ 200 bilhões.

As partes afetadas pelo aumento de mais de 100% na tarifa sobre os US$ 200 bilhões terão até o início de setembro para recorrer à USTR. A decisão final só virá depois disso.

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